sexta-feira, 20 de maio de 2005
Do Comportamento Impróprio à Mesa do Meu Amo
"Convidado algum deve sentar em cima da mesa e nem de costas voltadas para ela; nem deve botar a cabeça em cima do prato para comer; nem deve tirar comida do prato do vizinho, sem primeiro pedir autorização; não deve limpar sua faca às vestes do vizinho; não deve retirar comida da mesa colocando-a na bota ou na bolsa para consumo posterior; não deve cuspir na frente do meu amo e nem ao seu lado; não deve dar beliscadelas ou palmadas ao vizinho; não deve emitir ruídos resfolegantes ou dar cotoveladas; não deve conspirar à mesa (a menos que seja com meu amo), não deve fazer propostas obscenas aos pajens do meu amo nem retoiçar com os corpos deles; e se sentir necessidade de vomitar, tal como se tiver vontade de urinar, deve abandonar a mesa." [dos cadernos culinários de Leonardo; lembrança via Louro José]
segunda-feira, 16 de maio de 2005
Almanaque das Profissões (ii): Blogueiro
No princípio eram os blogs. Poucos, porém de ilimitada qualidade. E navegávamos por todos eles, mergulhando da prancha, como um Tio Patinhas de felicidade. Mas ao longe já se divisava o espírito de Alcelmo Góis pairando sobre a face das águas.

blogosfera original - da vista infinita, da cara de mau
Na última década, com a expansão dos blogs, a lei do decaimento virtual entrou em ação. Trata-se de uma verdade heráldico-matemática, que estabelece a vulgarização inexorável de qualquer meio, deixando em aberto somente sua meia-vida. Caso particular daquele teorema de aritmancia, segundo o qual o número de coincidências impensáveis cresce exponencialmente com a gravidade de uma crise -- e isso gera seu fim, e a Letargia.
Sim, os blogs se expandiram, e a tal ponto, que não está longe o dia em que a profissão de blogueiro seja reconhecida -- e qualquer pessoa inteligente sabe que não há nada mais humilhante que ser reconhecido e normatizado por um governo. Mas já que estas humilhações parecem inevitáveis, ao menos expliquemos o que não é um blogueiro, pois temos sido confundidos com profissões outras e infectas.
Quer um exemplo? Repórter. Blog não é jornal. Blogueiro só posta notícias quando a bubiça é maior que barba de afegão em véspera de peregrinação a Meca. Quando a bola quica na pequena área, livre, pedindo pra chutar. Sem exceção. Se você der o azar de cair num blog político ou informativo, foge. Reseta na hora. Aperta o botão cinco vezes, que nem elevador, pra não ficar nada na memória, pra não se contaminar.
"Ah, mas eu li que blogs devem ter informações, até complementar a imprensa". Esquece, isso é coisa de gente que não toma banho; ou tá a fim de uns trocados.
Ah, essa é uma acusação grave? Grave é o fedor que empesteia nosso meio; grave é a puta que o pariu. Quando blogueiros levemente efeminados se fazem de críticos de arte, são ignorados pelo público e ridicularizados pelos entendidos. Já os dublês de jornalistas, espalhando notícias como quem semeia esterco no quintal, são lidos e relidos pela massa ignara, após a divulgação por seus co-irmãos -- do papel ou do monitor. O horror, o horror.
Olha, eu sempre tive um horror sacro e profundo à opinião alheia, pavor a qualquer opinião fundamentada, trajando símbolos de sabedoria. Aquele odor fétido de falsidade travestida em verdade imparcial. Sempre terrível, mas, num blog, ainda pior.
Quando vejo de relance um post, a mera impressão de que exponha uma opinião firme e seriíssima faz meus olhos se encherem de areia, começo a marejar em rubras lágrimas; se constato por um átimo a existência de sérias enumerações, já as pústulas me tomam as faces.
Desagradável? Pra dizer o mínimo; é a definição de chatice. Vai ser baiano na vida!
Mas, ok, até concedo de bom grado que alguém vomite sabedoria construtiva no colo alheio. Desde que não tenha nenhuma boa intenção nisso. Que se desdiga três dias depois, dizendo que estava bêbado e quem concordou é imbecil. Ou que tenha feito só pra arranjar briga, ou comer uma vizinha. Ou que só fizera uma graça, que dois minutos depois ignore o que tenha escrito.
Por exemplo: quem se importa com blogs jornalísticos? Não eu. Só redijo isso porque devemos bater e achincalhar quem apareça pela frente. Como o vovô gascão já dizia.
Posted by mozart at 3:10 PM
blogosfera original - da vista infinita, da cara de mau
Na última década, com a expansão dos blogs, a lei do decaimento virtual entrou em ação. Trata-se de uma verdade heráldico-matemática, que estabelece a vulgarização inexorável de qualquer meio, deixando em aberto somente sua meia-vida. Caso particular daquele teorema de aritmancia, segundo o qual o número de coincidências impensáveis cresce exponencialmente com a gravidade de uma crise -- e isso gera seu fim, e a Letargia.
Sim, os blogs se expandiram, e a tal ponto, que não está longe o dia em que a profissão de blogueiro seja reconhecida -- e qualquer pessoa inteligente sabe que não há nada mais humilhante que ser reconhecido e normatizado por um governo. Mas já que estas humilhações parecem inevitáveis, ao menos expliquemos o que não é um blogueiro, pois temos sido confundidos com profissões outras e infectas.
Quer um exemplo? Repórter. Blog não é jornal. Blogueiro só posta notícias quando a bubiça é maior que barba de afegão em véspera de peregrinação a Meca. Quando a bola quica na pequena área, livre, pedindo pra chutar. Sem exceção. Se você der o azar de cair num blog político ou informativo, foge. Reseta na hora. Aperta o botão cinco vezes, que nem elevador, pra não ficar nada na memória, pra não se contaminar.
"Ah, mas eu li que blogs devem ter informações, até complementar a imprensa". Esquece, isso é coisa de gente que não toma banho; ou tá a fim de uns trocados.
Ah, essa é uma acusação grave? Grave é o fedor que empesteia nosso meio; grave é a puta que o pariu. Quando blogueiros levemente efeminados se fazem de críticos de arte, são ignorados pelo público e ridicularizados pelos entendidos. Já os dublês de jornalistas, espalhando notícias como quem semeia esterco no quintal, são lidos e relidos pela massa ignara, após a divulgação por seus co-irmãos -- do papel ou do monitor. O horror, o horror.
Olha, eu sempre tive um horror sacro e profundo à opinião alheia, pavor a qualquer opinião fundamentada, trajando símbolos de sabedoria. Aquele odor fétido de falsidade travestida em verdade imparcial. Sempre terrível, mas, num blog, ainda pior.
Quando vejo de relance um post, a mera impressão de que exponha uma opinião firme e seriíssima faz meus olhos se encherem de areia, começo a marejar em rubras lágrimas; se constato por um átimo a existência de sérias enumerações, já as pústulas me tomam as faces.
Desagradável? Pra dizer o mínimo; é a definição de chatice. Vai ser baiano na vida!
Mas, ok, até concedo de bom grado que alguém vomite sabedoria construtiva no colo alheio. Desde que não tenha nenhuma boa intenção nisso. Que se desdiga três dias depois, dizendo que estava bêbado e quem concordou é imbecil. Ou que tenha feito só pra arranjar briga, ou comer uma vizinha. Ou que só fizera uma graça, que dois minutos depois ignore o que tenha escrito.
Por exemplo: quem se importa com blogs jornalísticos? Não eu. Só redijo isso porque devemos bater e achincalhar quem apareça pela frente. Como o vovô gascão já dizia.
Posted by mozart at 3:10 PM
sábado, 7 de maio de 2005
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