Adoráveis tempos bélicos, em que discussões tão frutíferas surgem à mesa do bar. Ontem, meu jovem amigo RAM disse que a guerra era um evento natural e inevitável, que servia pra "limpar o sangue ruim" a cada dez ou vinte anos.
É claro que desconfio de qualquer afirmação mais universal por reflexo. Esta poderia ser refutada em seu total ou por partes, porém isso não me interessa, pois lembrei-me de uma afirmação mais curiosa: o homem é o único animal que mata o seu semelhante*. Vocês já devem ter ouvido isso**, e soa-me certamente refutável***, bastando pesquisar um pouco****.
(*) por razões que não sejam a própria sobrevivência;
(**) arianos consideravam negros ou judeus seus semelhantes?
(***) além de chauvinismo não reconhecer na própria espécie as raízes de seu infortúnio, ou em si.
(****) que os animais matam e mutilam por diversão, já verifiquei inúmeras vezes; eu mesmo puxei o rabo de um gato certa vez, para ver se era divertido.
Pois bem: além de munir-me de almanaques, utilizei o método Stanislavski, e assisti a Zoolander para trazer-lhes a SEGUINTE INFORMAÇÃO: se o macho alfa de uma alcatéia apenas bane o seu semelhante, por outro lado, o joão-de-barro mata a mulher e o amante quando descobre ser corno.
Sim, é uma lenda, mas estava com preguiça de pesquisar. Sei, entretanto, que a abelha rainha ordena às súditas que destruam o casulo das semelhantes quando nasce. Conquanto a maior parte dos animais não mate seu igual*, há inúmeras exceções por aí. Assim como a morte por diversão ou treino não justificam a caça à raposa -- da qual, aliás, sou praticante, muito embora, na falta, só cace gambás --, a informação de que matar o semelhante seja natural também não prova nada. A verminose é natural, e nem por isso eu vou comer com as mãos sujas e ficar barrigudinho... acredito que alberto caeiro e seus apóstolos tenham morrido assim.
(*) usei o exemplo do lobo apenas devido àquele ditado.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2003
sábado, 1 de fevereiro de 2003
DIOGO CÃO AND THE TRAGEDY OF ARISTOTELES, KING OF GRÉCIA
Em À Mesa com Aristóteles, que trata das discussões deste com seus discípulos durante a sobremesa, o Estagirita relata a existência de quatro tipos de churrascos:
(i) os barbarismos; churrascos estrangeiros constituídos por carne moída ou salsicha;
(ii) o espeto corrido; que é barato e destina-se ao empanturramento e taxidermia em geral;
(iii) o churrasco entre amigos; de qualidade duvidosa, que serve como aperitivo e desculpa para beber cerveja, além de auxiliar a retenção de líquidos;
(iv) o rodízio em si; este deveria ser apreciado, bem pago, e comentado com os amigos ou nas altas esferas, o que fosse mais conveniente.
Diógenes del ocho, num acesso de fúria contra o cartesianismo aristotélico, inventou o churrasquinho grego, e assim nasceu aquela aberração que até hoje pode ser encontrada nas ruas mais movimentadas das grandes capitais (com um suco de brinde), e, por incrível que pareça, na Grécia.
Devido à humilhação pública de sua sabedoria, Aristóteles passou doze anos sem experimentar o churrasquinho grego -- que teria enriquecido Diógenes se este tivesse o cuidado de registrar uma patente, muito embora sua alcunha (cínico) pudesse atrapalhar --, dizendo aos próximos que se tratava de moda passageira, e de forma alguma rasuraria sua obra, porém teve de ser operado do apêndice, tamanha sua revolta interior.
O armistício só teve lugar quando Aristóteles, por razões até hoje incertas, começou a escrever a primeira parte de sua fabulosa "Literatura de Banheiro", em que consagrava Homero e afirmava que "a qualidade de um livro é inversamente proporcional a seu odor". Os dois fizeram as pazes, e, numa homenagem póstuma, na segunda edição de À Mesa com Ari constava o "churrasquinho grego propriamente dito", que sugeria servido isoladamente, qual uma ilha, ou o criador.
(i) os barbarismos; churrascos estrangeiros constituídos por carne moída ou salsicha;
(ii) o espeto corrido; que é barato e destina-se ao empanturramento e taxidermia em geral;
(iii) o churrasco entre amigos; de qualidade duvidosa, que serve como aperitivo e desculpa para beber cerveja, além de auxiliar a retenção de líquidos;
(iv) o rodízio em si; este deveria ser apreciado, bem pago, e comentado com os amigos ou nas altas esferas, o que fosse mais conveniente.
Diógenes del ocho, num acesso de fúria contra o cartesianismo aristotélico, inventou o churrasquinho grego, e assim nasceu aquela aberração que até hoje pode ser encontrada nas ruas mais movimentadas das grandes capitais (com um suco de brinde), e, por incrível que pareça, na Grécia.
Devido à humilhação pública de sua sabedoria, Aristóteles passou doze anos sem experimentar o churrasquinho grego -- que teria enriquecido Diógenes se este tivesse o cuidado de registrar uma patente, muito embora sua alcunha (cínico) pudesse atrapalhar --, dizendo aos próximos que se tratava de moda passageira, e de forma alguma rasuraria sua obra, porém teve de ser operado do apêndice, tamanha sua revolta interior.
O armistício só teve lugar quando Aristóteles, por razões até hoje incertas, começou a escrever a primeira parte de sua fabulosa "Literatura de Banheiro", em que consagrava Homero e afirmava que "a qualidade de um livro é inversamente proporcional a seu odor". Os dois fizeram as pazes, e, numa homenagem póstuma, na segunda edição de À Mesa com Ari constava o "churrasquinho grego propriamente dito", que sugeria servido isoladamente, qual uma ilha, ou o criador.
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