Ou Fotografias são de Marte, Esculturas são de Vênus, jamais me decidirei; de qualquer modo, é muito chata a aproximação de Marte: astrólogos na tevê dizendo bobagem, e astrônomos contando as mesmas histórias de sempre*... até palestras de neurolingüistas ou filósofos picaretas seriam menos enfaronhas.
(*) e.g.: incerta sobre os sinais regulares que detectara em seu radiotelescópio serem ou não uma mensagem, uma astrônoma nomeou a fonte de LGM-1: Little Green Men. Pouco tempo depois, um astrofísico inventou os pulsares.
Aliás, Kant podia saber muito de metafísica, mas se alguém aparecesse com uma prova irrefutável de que sujava as calças, estaria tudo perdido. Os livros de "lógica" podem dizer o que bem entenderem, mas o ad hominem ainda é a melhor solução.
Até porque todo mundo tem seu calcanhar de Aquiles; eu, por exemplo, sou hidrômano. Nada a ver com banho, o caso é que há muitos piromaníacos por aí, e alguém tem de equilibrar a coisa. Se virem um sujeito saindo com um balde d'água de casa para molhar um local público, podem saber que sou eu.
Nem sempre fui tão malvado, a culpa é toda da tevê. Os desenhos animados politicamente corretos são muito ruins, jamais educaram alguém; o pouco que aprendemos foi por meio de personagens da laia do Pica-Pau. Com uma frase, "Vodu é pra jacu", o maligno personagem convenceu-me de aquela religião não prestar pra nada.
Também me ensinou que a formiguinha operária é mal-intencionada, e muitas outras coisas, como avisar à polícia caso algo de estranho ocorra na vizinhança, cantar o Fígaro, pôr sal na cauda de aves, não consertar o encanamento sozinho para economizar.
O Gato Félix só me incitou a odiar todos os valores que pregava. É provavelmente o pior desenho da história, e nem menciono a dublagem.
sexta-feira, 29 de agosto de 2003
segunda-feira, 25 de agosto de 2003
Reminiscências
Possuía um cão em infância, cocker spaniel que atendia por Bach; não apenas bobo, como cheio de problemas. A família passava por dificuldades financeiras, de modo que chegou o inevitável dia em que papai me informou de que teríamos de nos livrar do infame animal.
Muito genial, meu pai não usou termos tais; em vez disso, falou-me que libertaríamos o cão; e, a despeito dos frágeis protestos infantis, lá fomos nós, na estropiada Belina vermelha, rumo à estrada, levando o cão a seu habitat natural.
Paramos no acostamento e deixamos o pobre animal numa pequena mata-clareira. Tiramos a coleira, e ele saltou um pouco para lá e cá, atrás de insetos; aparentemente feliz, como papai ressaltou.
Despedi-me do bicho, que se aproximara, e fomos para o carro, enquanto ele tornava a saltar. Quando ruidosamente ligamos o veículo, creio que meu cão não entendeu bem o que ocorreria a seguir, pois parou junto ao meio-fio e ficou nos observando partir, parado, com a língua pra fora. Ainda correu um pouco em nossa direção, antes que desaparecesse na curva.
Muito genial, meu pai não usou termos tais; em vez disso, falou-me que libertaríamos o cão; e, a despeito dos frágeis protestos infantis, lá fomos nós, na estropiada Belina vermelha, rumo à estrada, levando o cão a seu habitat natural.
Paramos no acostamento e deixamos o pobre animal numa pequena mata-clareira. Tiramos a coleira, e ele saltou um pouco para lá e cá, atrás de insetos; aparentemente feliz, como papai ressaltou.
Despedi-me do bicho, que se aproximara, e fomos para o carro, enquanto ele tornava a saltar. Quando ruidosamente ligamos o veículo, creio que meu cão não entendeu bem o que ocorreria a seguir, pois parou junto ao meio-fio e ficou nos observando partir, parado, com a língua pra fora. Ainda correu um pouco em nossa direção, antes que desaparecesse na curva.
sexta-feira, 8 de agosto de 2003
Apogeu e Decadência da Humanidade
Durante milênios, o ser humano floresceu como a mais perfeita das criaturas, tendo subjugado a natureza e as demais espécies.
Em algum momento, porém, houve a queda: o homem passou a matar seu semelhante, a destruir o meio em que vivia, a chamar o leitor de hipócrita, a cobrar taxas de importação devido a linhas imaginárias. O que o teria levado a isso?
Nada mais simples: a perda da nêmesis. O instante em que o homem de cromanhôm destruiu o neanderthal foi seu ápice e sua decadência. A partir daí, o homem começou a bater na mulher, os filhos não tinham mais necessidade de seguir regras, os de cor diferente foram escravizados...
Imaginem quão belo seria nosso mundo com os neanderthais: dominados, fariam todo tipo de serviço sujo, de graça, e teríamos em quem descontar a raiva ocasionalmente. Haveria uns eco-chatos, claro, mas isso já temos hoje, e sem que as baleias façam nada de útil -- vide Star Trek IV.
Bem, é só um pensamento... também iria dizer que ter arma em casa é coisa de caipira, mas preciso provar que a soma relativística de velocidades leva a um 0/0, e não c, sempre que o referencial estiver à velocidade da luz...
Em algum momento, porém, houve a queda: o homem passou a matar seu semelhante, a destruir o meio em que vivia, a chamar o leitor de hipócrita, a cobrar taxas de importação devido a linhas imaginárias. O que o teria levado a isso?
Nada mais simples: a perda da nêmesis. O instante em que o homem de cromanhôm destruiu o neanderthal foi seu ápice e sua decadência. A partir daí, o homem começou a bater na mulher, os filhos não tinham mais necessidade de seguir regras, os de cor diferente foram escravizados...
Imaginem quão belo seria nosso mundo com os neanderthais: dominados, fariam todo tipo de serviço sujo, de graça, e teríamos em quem descontar a raiva ocasionalmente. Haveria uns eco-chatos, claro, mas isso já temos hoje, e sem que as baleias façam nada de útil -- vide Star Trek IV.
Bem, é só um pensamento... também iria dizer que ter arma em casa é coisa de caipira, mas preciso provar que a soma relativística de velocidades leva a um 0/0, e não c, sempre que o referencial estiver à velocidade da luz...
terça-feira, 5 de agosto de 2003
Mais Imposto (Saudades do Quinto)
Para os impostos, há duas justificativas vastamente empregadas:
(i) razões de Estado -- é imprescindível mais dinheiro, desculpe;
(ii) você, eleitor, fazemos isso para o seu bem.
Donde se conclui que todo imposto seja bom... "Ministro, vá tomar no cu".
(i) razões de Estado -- é imprescindível mais dinheiro, desculpe;
(ii) você, eleitor, fazemos isso para o seu bem.
Donde se conclui que todo imposto seja bom... "Ministro, vá tomar no cu".
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