O espanhol Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno Crispin Crispiano de la Santisima Trinidad Ruyz y Picasso (1881-1973) foi o mais prolífico de todos os pintores do mundo, em uma carreira que durou 78 anos. Sua obra completa totaliza cerca de 13.500 pinturas e desenhos, 100 mil gravuras, 34 mil ilustrações de livros e 300 esculturas ou cerâmicas. A totalidade de suas obras foi avaliada em US$ 800 milhões. E isso tudo sem contar os cardápios.
Há, não sei por quê, muitas anedotas vulgares a respeito do sujeito, repetidas como se constituíssem o ápice do humor universal -- e talvez sejam. De qualquer modo, vamos a uma história verídica: Picasso e Matisse nutriam grande rivalidade, mas eis que, Matisse meio doente, ambos mais envelhecidos, já amigos, Picasso vai visitá-lo, e leva junto seu filhinho, de quatro anos. Passam uma bela tarde na casa do francês, e, chegando em casa, o filho se vira pra mãe todo animado: "mãe, mãe, hoje eu e papai fomos visitar um pintor, e falamos com ele". Picasso olha atravessado pro moleque, e a mãe em cima: "mas anjinho, por que esse escândalo?, papai também é pintor", e o filho: "não, era um pintor de verdade, papai só faz esses rabiscos..."
Bom, é provável que haja muitos erros na história, mas é mais ou menos por aí -- escutei o relato há já um bom tempo, e estava caindo de bêbado havia pelo menos três ou quatro dias, pra dizer o mínimo. E muito mais interessante é saber que o pai de Rorschach foi um pintor modernista medíocre...
Há uma outra história, esta remotamente ligada ao pintor espanhol, porém inesquecível, ocorreu em um curso numa universidade pública. A animalesa que ministrava as aulas veio com a proposição: "tudo que tem valor de troca não é arte". Citaram inúmeras obras: músicas, esculturas, telas, poesias, e ela na mesma tecla, sem titubear: "isso não é arte, tinha valor de troca"; até que um sujeito, cansado, exaltou-se "E Guernica?". "Guernica também não é arte; Picasso era um charlatão". "E a senhora é o quê, caramba?" É surpreendente que quase metade da turma tenha aguentado o curso até o final. Mas terminemos com algumas citações:
Un pintor es un hombre que pinta lo que vende. Un artista, en cambio, es un hombre que vende lo que pinta.
Aunque sólo existiera una verdad única, no se podría pintar cien cuadros sobre el mismo tema.
"Pago sempre em cheque. As pessoas preferem guardá-lo a descontá-lo."
"Não existe arte abstrata. Você sempre precisa começar com algo. Depois, removem-se todos os traços de realidade."
sexta-feira, 25 de outubro de 2002
quinta-feira, 17 de outubro de 2002
W. Shakspere
Muito se ouve falar de William Shakespeare, e seu grande LEGADO À HUMANIDADE, e falam de Hamlet, e de MacBeth, e dos Sonetos etc. Contudo, do trecho mais memorável ninguém diz nada, e é justamente o que transcrevo. Direto do testamento do cisne de Avon:
"Item: I gyve unto my wief my second best bed, with the furniture."
Quer dizer: à humanidade, uma obra inigualável; à esposa, sua segunda melhor cama... with the furniture! Que timing, e ainda há quem seu gênio conteste...
"Item: I gyve unto my wief my second best bed, with the furniture."
Quer dizer: à humanidade, uma obra inigualável; à esposa, sua segunda melhor cama... with the furniture! Que timing, e ainda há quem seu gênio conteste...
terça-feira, 15 de outubro de 2002
R E T O R N E T E R N O
A pedra angular de toda a filosofia de Nietzsche foi o trocadilho.
Há quem assevere as entrelinhas sejam mais importantes que os objetos tratados em suas sentenças, que sequer seriam objetos; há quem mencione metáforas fundamentais, e subtítulos, e uma vaca colorida. Enfim: há um bom material...
Indo contra minha natureza, entretanto, não zombarei do estilista por trás do bigode e da camisa-de-força. Devido à sua prolixidade, os resumões que nos remetem aos trechos principais, com interpretações e comentários diversos, já o liquidaram; transformaram-no mesmo em ídolo e profeta decadente. Só não superou ainda o Che nas Humanas devido à sua deselegância, além daquela história de até boa idade o brinquedo preferido da irmã serem suas gônadas...
Há quem assevere as entrelinhas sejam mais importantes que os objetos tratados em suas sentenças, que sequer seriam objetos; há quem mencione metáforas fundamentais, e subtítulos, e uma vaca colorida. Enfim: há um bom material...
Indo contra minha natureza, entretanto, não zombarei do estilista por trás do bigode e da camisa-de-força. Devido à sua prolixidade, os resumões que nos remetem aos trechos principais, com interpretações e comentários diversos, já o liquidaram; transformaram-no mesmo em ídolo e profeta decadente. Só não superou ainda o Che nas Humanas devido à sua deselegância, além daquela história de até boa idade o brinquedo preferido da irmã serem suas gônadas...
segunda-feira, 14 de outubro de 2002
quarta-feira, 9 de outubro de 2002
Resposta de Sauron
Recebi um e-mail de meu amigo Sauron. Milorde Sauron é o cara mais sábio que já conheci, e sempre que me esqueço de ajoelhar e dizer isso em sua presença, Sauron esfola minha rótula direita e escarra. Uma vez, arremessou-me de peito e cara na seção de cactos do Jardim Botânico.
Mas milorde é muito piedoso para com minhas falhas. Disse-lhe que as eleições mostravam alguns sinais de que a crença na democracia ainda era possível. A resposta veio junto com um vírus que quase destruiu meu tocador de CDs.
"Monte de asnice e falsa analogia. Porém, antes de mais nada, anátema, procure separar seus parágrafos com linhas duplas em branco, para facilitar a leitura -- sim, é uma ordem, hápax da dislexia; e evite usar o termo 'galera' quando referir-se a mim, não sou remador escravo de embarcações idiotas.
Pois bem, vamos à Verdade: a única qualidade da democracia é evitar déspotas completamente debilóides ou insanos, que desejem apenas seu bem e estejam pouco se fodendo para a nação. De resto, é uma ineficiência só... Entretanto, como, segundo os pseudopsicólogos, o poder corrompe, não seria lá muito fácil obter déspotas esclarecidos -- não no sentido original, mas literal da expressão --, e fica parecendo que a democracia seja um grande negócio.
Contudo, em nosso país, até os tiranos são de meia-tigela. Não dá pra comparar nossos Médicis, Geisels e Figueiredos a um Idi Amin Dadá ou a um Stálin. É outro nível... além disso, os generais daqui costumam ficar no poder menos tempo que certos presidentes eleitos...
Portanto, seu boçal, a melhor solução para o Brasil chama-se Despotismo Esclarecido. Pode-se muito bem elaborar uma constituição para que o tirano não seja uma divindade, sendo forçado a obter certos avanços, não podendo matar quem bem desejar, esse tipo de bobagem que atrapalharia a gestão. Claro que se o sujeito for bom e sábio, não precisaremos desses dispositivos legais, mas, caso seja um Calígula, teremos nossa constituição para nos livrarmos da mala.
Essa é a minha opinião, e a única opinião possível a qualquer pessoa inteligente.
E tire o cavalinho da precipitação, que além de meu olor ser melhor que o teu, o candidato a imperador já sou eu. Toda morte será pequena comparada à infligida por minhas justas e infinitas mãos. Sem contar as mordidas de jegue de meus servos."
Mas milorde é muito piedoso para com minhas falhas. Disse-lhe que as eleições mostravam alguns sinais de que a crença na democracia ainda era possível. A resposta veio junto com um vírus que quase destruiu meu tocador de CDs.
"Monte de asnice e falsa analogia. Porém, antes de mais nada, anátema, procure separar seus parágrafos com linhas duplas em branco, para facilitar a leitura -- sim, é uma ordem, hápax da dislexia; e evite usar o termo 'galera' quando referir-se a mim, não sou remador escravo de embarcações idiotas.
Pois bem, vamos à Verdade: a única qualidade da democracia é evitar déspotas completamente debilóides ou insanos, que desejem apenas seu bem e estejam pouco se fodendo para a nação. De resto, é uma ineficiência só... Entretanto, como, segundo os pseudopsicólogos, o poder corrompe, não seria lá muito fácil obter déspotas esclarecidos -- não no sentido original, mas literal da expressão --, e fica parecendo que a democracia seja um grande negócio.
Contudo, em nosso país, até os tiranos são de meia-tigela. Não dá pra comparar nossos Médicis, Geisels e Figueiredos a um Idi Amin Dadá ou a um Stálin. É outro nível... além disso, os generais daqui costumam ficar no poder menos tempo que certos presidentes eleitos...
Portanto, seu boçal, a melhor solução para o Brasil chama-se Despotismo Esclarecido. Pode-se muito bem elaborar uma constituição para que o tirano não seja uma divindade, sendo forçado a obter certos avanços, não podendo matar quem bem desejar, esse tipo de bobagem que atrapalharia a gestão. Claro que se o sujeito for bom e sábio, não precisaremos desses dispositivos legais, mas, caso seja um Calígula, teremos nossa constituição para nos livrarmos da mala.
Essa é a minha opinião, e a única opinião possível a qualquer pessoa inteligente.
E tire o cavalinho da precipitação, que além de meu olor ser melhor que o teu, o candidato a imperador já sou eu. Toda morte será pequena comparada à infligida por minhas justas e infinitas mãos. Sem contar as mordidas de jegue de meus servos."
domingo, 6 de outubro de 2002
Às margens da baía de Guanabara, escorei-me e vomitei
Trajando luto, anulei meus votos utópica e conscientemente. Preferia ter anulado os candidatos, mas não se pode ter tudo... saí da seção passando mal, caminhei pela praia, só pude beber quando cheguei em casa. Há pessoas gritando pelas ruas, mas não há muito a comemorar.
60-70% do cérebro é água; isso explica bastante.
Da próxima vez, se quiserem meu voto, paguem.
60-70% do cérebro é água; isso explica bastante.
Da próxima vez, se quiserem meu voto, paguem.
sexta-feira, 4 de outubro de 2002
0/0
Bem, todo mundo sabe conhece a adição relativística de velocidades, mas nunca é demais lembrar aquele caso especial clássico. Se duas partículas têm velocidades com a mesma direção segundo um Referencial Inercial, chamando-se de v1 e v2 as velocidades de tais partículas segundo este referencial, segundo cada uma das partículas, a outra estará dotada de velocidade com módulo igual a
v = (v1-v2) / {1-[(v1.v2) /c^2)]}
Existe um problema clássico muito citado, porque segundo o velho Albo, foi o que o levou a pensar na teoria da relatividade restrita, trata-se do gedanken em que o jovem Einstein perseguia uma onda de luz. Diz-se que ele a veria exatamente como em qualquer outra situação, i.e.: com velocidade = c, mas, se pusermos na fórmula v1 = v2 = c, teremos v = 0/0. Como este seria o único caso em que a fórmula nos dá tal resultado, em todos os outros sendo c -- inclusive para as partículas à velocidade da luz, porém com sentidos opostos --, isso é por vezes ignorado, e diz-se que o 0/0 valeria c.
O problema é que não é esse o caso, e bastará ver a dedução da fórmula para se notar que para um referencial que esteja à velocidade da luz, a velocidade de um outro objeto qualquer será a indefinição 0/0 -- pode-se l’Hospitar à vontade.
Ou seja: quando o frame está em MRU igual a "c", quando o frame é um, digamos, um photon, não vale a simplificação... é claro que haveria ainda o problema da dilatação temporal ser originária da QM, e tal, mas não aí já são outros quinhentos... na verdade, isso tudo importa muito pouca coisa, se é que importa.
Adendo:
Permitam-me deduzir a coisa a partir do caso de partícula e sistema de coordenadas (no mesmo sentido), diretamente das transformações usais para moção unidirecional dum sistema S’ [fórmulas 8.1 e 8.2 do Tolman]
Defina-se x como uma partícula; u(x), a velocidade de x num referencial inercial; u'(x) , a velocidade de x num outro referencial inercial com velocidade v segundo o primeiro referencial. Calculemos então u'(x). Para simplificar a notação, usarei as velocidades reduzidas, i.e.: v = v/c, c = c/c = 1 etc.
u(x)=dx/dt
u'(x) = dx'/dt' = dx'/dt . dt/dt' =>
u'(x) ={(dx - v.dt) / [dt.raiz(1-v^2)]}.{[raiz (1-v^2)] / [1- (v.dx/dt)]}<=>
u'(x) ={(dx - v.dt) / [1- (v.dx/dt)]}.{[raiz (1-v^2)] / [dt.raiz(1-v^2)]}<=>
u'(x) = {(u(x)-v) / [1- (u(x).v)]} . {[raiz(1-v^2)] / [raiz(1-(v^2)]}
v = (v1-v2) / {1-[(v1.v2) /c^2)]}
Existe um problema clássico muito citado, porque segundo o velho Albo, foi o que o levou a pensar na teoria da relatividade restrita, trata-se do gedanken em que o jovem Einstein perseguia uma onda de luz. Diz-se que ele a veria exatamente como em qualquer outra situação, i.e.: com velocidade = c, mas, se pusermos na fórmula v1 = v2 = c, teremos v = 0/0. Como este seria o único caso em que a fórmula nos dá tal resultado, em todos os outros sendo c -- inclusive para as partículas à velocidade da luz, porém com sentidos opostos --, isso é por vezes ignorado, e diz-se que o 0/0 valeria c.
O problema é que não é esse o caso, e bastará ver a dedução da fórmula para se notar que para um referencial que esteja à velocidade da luz, a velocidade de um outro objeto qualquer será a indefinição 0/0 -- pode-se l’Hospitar à vontade.
Ou seja: quando o frame está em MRU igual a "c", quando o frame é um, digamos, um photon, não vale a simplificação... é claro que haveria ainda o problema da dilatação temporal ser originária da QM, e tal, mas não aí já são outros quinhentos... na verdade, isso tudo importa muito pouca coisa, se é que importa.
Adendo:
Permitam-me deduzir a coisa a partir do caso de partícula e sistema de coordenadas (no mesmo sentido), diretamente das transformações usais para moção unidirecional dum sistema S’ [fórmulas 8.1 e 8.2 do Tolman]
Defina-se x como uma partícula; u(x), a velocidade de x num referencial inercial; u'(x) , a velocidade de x num outro referencial inercial com velocidade v segundo o primeiro referencial. Calculemos então u'(x). Para simplificar a notação, usarei as velocidades reduzidas, i.e.: v = v/c, c = c/c = 1 etc.
u(x)=dx/dt
u'(x) = dx'/dt' = dx'/dt . dt/dt' =>
u'(x) ={(dx - v.dt) / [dt.raiz(1-v^2)]}.{[raiz (1-v^2)] / [1- (v.dx/dt)]}<=>
u'(x) ={(dx - v.dt) / [1- (v.dx/dt)]}.{[raiz (1-v^2)] / [dt.raiz(1-v^2)]}<=>
u'(x) = {(u(x)-v) / [1- (u(x).v)]} . {[raiz(1-v^2)] / [raiz(1-(v^2)]}
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