Filosofia: como as roupas e a alma imortal, é o que distingue o homem dos animais. A filosofia foi criada por homens que amavam tanto o saber, que decidiram destruir tudo aquilo que era conhecido.
A Grécia antiga foi o berço da civilização, e naturalmente a mãe da Filosofia. Lá coexistiam dois tipos de filósofos: os sofistas e os socráticos.
Os sofistas eram pagos à vista, e os socráticos pagavam pra ver. Os sofistas viviam bem e ensinavam o necessário a uma vida de sucesso e galhardia; os socráticos diziam que estava tudo errado, e morriam envenenados para provar que estavam certos.
Depois que a toga saiu de moda, os dois grupos foram esquecidos por mais de dois mil anos, mas a história das correntes contrárias não. Durante a renascença, a filosofia viu-se uma vez mais em voga, e os sábios trajaram as melhores roupas possíveis, a fim de rolarem na lama e se apedrejarem em público.
Diante de tanta controvérsia e desenvolvimento, no século XX houve um grande exercício editorial, e os maiores filosófos de todos os tempos foram coligidos na coleção Os Pensadores. A academia logo concluiu que nada do que tivessem dito estava correto, e a filosofia clássica morreu, sobrando apenas a filosofia de vida e a filosofia de jogo.
A filosofia de vida foi inventada nos Estados Unidos, e seu objetivo era não ser cumprida a partir da segunda semana. A filosofia de jogo durava um pouco mais. Havia os filófosos que defendiam o jogo feio, mas de resultados, e os que argumentavam em prol da beleza. Os que jogavam feio costumavam perder seus jogos, e os que jogavam bonito em menos de um mês perdiam o emprego.
A filosofia, portanto, só funciona quando não serve pra nada. E se serve pra alguma coisa, aguarde e confie...
terça-feira, 30 de novembro de 2004
terça-feira, 23 de novembro de 2004
Deities & Demigods
De longe, o mais magnífico suplemento do D&D. D&D, disse eu? O mais maravilhoso suplemento de toda a história do RPG. Tó umas passagens:
"Speed: deities can move much more quickly than mortals. A deity's base land speed depends on its form (biped or quadruped) and its size, as shown on the following table..."
"Most deities (all those with 20 outsider Hit Dice) have a natural Armor Class bonus of their divine rank +13..."
"Alter Reality: a deity can change reality to suit itself.
Alter Size: a deity can change size (...)
Supreme Initiative: the deity always goes first in the initiative order. This is an extraordinary ability."
"ZEUS
Alignment: Chaotic Good
Favored Weapon: shortspear or halfspear
Hit Dice: 1550 hp, AC: -77"
[realmente muito impressionante, mais poderoso que Tiamat, porém suas estatísticas não passam de um meio termo entre Odin e Osíris -- este sim um grande Deus.]
"Speed: deities can move much more quickly than mortals. A deity's base land speed depends on its form (biped or quadruped) and its size, as shown on the following table..."
"Most deities (all those with 20 outsider Hit Dice) have a natural Armor Class bonus of their divine rank +13..."
"Alter Reality: a deity can change reality to suit itself.
Alter Size: a deity can change size (...)
Supreme Initiative: the deity always goes first in the initiative order. This is an extraordinary ability."
"ZEUS
Alignment: Chaotic Good
Favored Weapon: shortspear or halfspear
Hit Dice: 1550 hp, AC: -77"
[realmente muito impressionante, mais poderoso que Tiamat, porém suas estatísticas não passam de um meio termo entre Odin e Osíris -- este sim um grande Deus.]
terça-feira, 16 de novembro de 2004
Homens à Socapa
O idioma dos advogados e dos traficantes é imbatível -- sobretudo o dos advogados de traficantes --, mas os escritores ainda chegam lá.
Por alguma razão, resolveram não apenas que todos devamos franzir o cenho e cofiar a barba (galicismo podre*), como condenaram metade da espécie a narizes aduncos. E não é só a humanidade, a natureza também funciona segundo suas convenções, ora chovendo a cântaros, ora aos borbotões. É muito ridículo.
(*) eu nunca cofiei a barba. se um dia me virem cofiando, podem encher de porrada. deus me livre; prefiro me escanhoar a passar por semelhante situação.
Uma coisa é precisão, outra é usar metáforas, ou linguajar, que remonta às priscas eras. Quem já pegou um cântaro, ou convidou pra jantar, ou pelo menos o viu do outro lado da rua? Será que os escritores têm cântaros em casa? Vai ver é isso.
E depois falam mal de poesia parnasiana, que é ridícula. (é mesmo)
Pior que as gírias dos escritores, é quando usam metáforas bem ruinzinhas numa descrição, ou fazem uma inteligentíssima observação sobre o cotidiano e a natureza humana, com o intuito de "acrescentar algo" ao parágrafo de outra forma demasiado pobrinho. Acrescentar, ok, mas já dizia o mestre Foda: do or do not, there is no try.
Chovia a cântaros: errado. Choveu até dizer chega.
Por alguma razão, resolveram não apenas que todos devamos franzir o cenho e cofiar a barba (galicismo podre*), como condenaram metade da espécie a narizes aduncos. E não é só a humanidade, a natureza também funciona segundo suas convenções, ora chovendo a cântaros, ora aos borbotões. É muito ridículo.
(*) eu nunca cofiei a barba. se um dia me virem cofiando, podem encher de porrada. deus me livre; prefiro me escanhoar a passar por semelhante situação.
Uma coisa é precisão, outra é usar metáforas, ou linguajar, que remonta às priscas eras. Quem já pegou um cântaro, ou convidou pra jantar, ou pelo menos o viu do outro lado da rua? Será que os escritores têm cântaros em casa? Vai ver é isso.
E depois falam mal de poesia parnasiana, que é ridícula. (é mesmo)
Pior que as gírias dos escritores, é quando usam metáforas bem ruinzinhas numa descrição, ou fazem uma inteligentíssima observação sobre o cotidiano e a natureza humana, com o intuito de "acrescentar algo" ao parágrafo de outra forma demasiado pobrinho. Acrescentar, ok, mas já dizia o mestre Foda: do or do not, there is no try.
Chovia a cântaros: errado. Choveu até dizer chega.
sábado, 13 de novembro de 2004
Extra, Extra: Acabaram as Virgens!!!
Ontem, no enterro de Yasser Arafat, ALAH, o Misericordioso, apareceu em pessoa diante da turba mal vestida, a fim de prestar suas últimas homenagens ao mártir, líder, guerrilheiro, estadista e vendedor de toalhas e tapetes palestino.
Num pronunciamento que promete dar novos rumos ao conflito árabe-israelense, declarou, ligeiramente consternado, que o estoque de virgens do paraíso muçulmano acabou.
"É com pesar que tenho de informar que a escalada da violência nos últimos anos esgotou meu estoque de virgens. Sou grande mas não sou dois, oras! Vocês têm idéia de como seja difícil arranjar uma virgem hoje em dia?"
Terroristas, que disparavam suas armas para o alto e tiravam fotos ao lado de criancinhas, imediatamente pararam seus festejos beligerantes, estupefactos.
"Sim, vocês fizeram grandes coisas no passado, como as derrotas sucessivas do século XX atestam, mas está na hora de parar com essa história de Jihad e retomar as negociações pacíficas."

juventude agora terá de aprender matemática
"A verdade é que depois do desastre em Fallujah, vou precisar de pelo menos duas ou três gerações para repor as virgens. O grande satã branco venceu."
Berros e uivos indecifráveis irromperam na multidão, e logo dezenas de fuzis zuniam contra o suposto Alah, que recebeu com desdém a saraivada, dizendo:
"Olha, se vocês fazem tanta questão de morrer e matar em meu nome, eu ainda tenho algumas gordinhas pra distribuir, mas é só."
E após tais palavras, desapareceu numa nuvem de areia etérea.
A cúpula do Likud espera obter um tratado de paz definitivo em cerca de quarenta dias, próximo ao Hanukkah -- espécie de natal cheio de velas e sem nenhum presente.
Num pronunciamento que promete dar novos rumos ao conflito árabe-israelense, declarou, ligeiramente consternado, que o estoque de virgens do paraíso muçulmano acabou.
"É com pesar que tenho de informar que a escalada da violência nos últimos anos esgotou meu estoque de virgens. Sou grande mas não sou dois, oras! Vocês têm idéia de como seja difícil arranjar uma virgem hoje em dia?"
Terroristas, que disparavam suas armas para o alto e tiravam fotos ao lado de criancinhas, imediatamente pararam seus festejos beligerantes, estupefactos.
"Sim, vocês fizeram grandes coisas no passado, como as derrotas sucessivas do século XX atestam, mas está na hora de parar com essa história de Jihad e retomar as negociações pacíficas."
juventude agora terá de aprender matemática
"A verdade é que depois do desastre em Fallujah, vou precisar de pelo menos duas ou três gerações para repor as virgens. O grande satã branco venceu."
Berros e uivos indecifráveis irromperam na multidão, e logo dezenas de fuzis zuniam contra o suposto Alah, que recebeu com desdém a saraivada, dizendo:
"Olha, se vocês fazem tanta questão de morrer e matar em meu nome, eu ainda tenho algumas gordinhas pra distribuir, mas é só."
E após tais palavras, desapareceu numa nuvem de areia etérea.
A cúpula do Likud espera obter um tratado de paz definitivo em cerca de quarenta dias, próximo ao Hanukkah -- espécie de natal cheio de velas e sem nenhum presente.
quarta-feira, 10 de novembro de 2004
Envelhece na cidade
Ou estará do outro lado da ponte?
Feliz aniversário de qualquer modo, e parabéns pelo sucesso da operação. Que seja a primeira de muitas.
Feliz aniversário de qualquer modo, e parabéns pelo sucesso da operação. Que seja a primeira de muitas.
terça-feira, 9 de novembro de 2004
Tudo que é bom dura pouco
Coca em lata por exemplo. Meu saldo positivo no banco.
Já o universo, está aí há uns doze ou treze bilhões de anos, e não dá sinal de arredar o pé tão cedo. E a alternativa à barbárie é somente um tipo diferente de barbárie -- e.g.:batata transgênica e certas pastas de amendoim.
Mas o que eu quero dizer é o seguinte: se o que é bom dura pouco, e Sócrates é mortal, então buscar a virtude não dá futuro. Puro caprichinho; inútil, infrutífero, sem valor.
Moral da história: a virtude consiste em não buscar o que é bom.
Já o universo, está aí há uns doze ou treze bilhões de anos, e não dá sinal de arredar o pé tão cedo. E a alternativa à barbárie é somente um tipo diferente de barbárie -- e.g.:batata transgênica e certas pastas de amendoim.
Mas o que eu quero dizer é o seguinte: se o que é bom dura pouco, e Sócrates é mortal, então buscar a virtude não dá futuro. Puro caprichinho; inútil, infrutífero, sem valor.
Moral da história: a virtude consiste em não buscar o que é bom.
quinta-feira, 7 de outubro de 2004
De Volta às Férias
quarta-feira, 6 de outubro de 2004
Coisas que Caem do Céu
- Dinheiro
- Mulheres
- Papel Picado
- Eletro-eletrônicos
- Gente de gravata
Quando os executivos se atiram, invade-lhes a certeza de liberdade. A brisa contra o rosto, o cabelo desarranjando-se despreocupadamente. A sensação de infinito.
- Mulheres
- Papel Picado
- Eletro-eletrônicos
- Gente de gravata
Quando os executivos se atiram, invade-lhes a certeza de liberdade. A brisa contra o rosto, o cabelo desarranjando-se despreocupadamente. A sensação de infinito.
segunda-feira, 13 de setembro de 2004
O Contrato Social
Deflorei um labirinto de infinitas tralhas este domingo. A causa era justa, e nosso Senhor há de me perdoar. Fiquei perdido algumas horas, e como não tenho o plano de saúde do Fittipaldi, salvou-me um velho novelo de lã.
Eu já atravessava a porta de emergência quando um minotauro, por maldade e razões estéticas, surgiu das sombras para me entregar, silente, uma relíquia arqueológica de valor comparável somente à pedra do mar morto e aos manuscritos de rosetta: o contrato social.
Puído e rasurado, mas ainda assim o contrato original. Assinado por Noé, seus descendentes e a Serpente; registrado no cartório do Céu.
Apesar de meus vagos conhecimentos de bicho-europeu alto, consegui traduzir boa parte do documento no ônibus, e estou aterrorizado.
Toda a gente sabe, desde Matrix I, que o ser humano é repugnante como um chuchu, e não passa de um câncer da natureza. Mas pelo que li, se tigres ou tamanduás estivessem no poder, seria pouco diferente. Sério. Dá uma olhada:
O Contrato Social (made in Ararat, performed by MPB4)
A Regra de Ouro: "É errado ser francês".
I Mandamento: Homem nenhum será, contra a sua vontade, forçado a trocar lâmpadas, ou abrir garrafas e pequenos potes.
II Mand: A propriedade não é um roubo, salvo na orla marítima e durante a temporada.
III Mand: Vegetarianos são a ralé da cadeia alimentar, e portanto não gozam de direito algum. Os hemivegetarianos estão fora.
IV Mand: O despotismo convém aos países quentes, a barbárie aos frios, e a democracia aos Estados pequenos e pobres.
V Mand: Das garantias fundamentais:
- merenda;
- toda religião é verdadeira, exceto o vodu;
- réu nenhum será submetido a siglas ou fogos-de-artifício;
- a imprensada é da defesa;
- não existe guerra ruim;
- hollywood;
- buy viagra online;
E assim vai.
Ainda não sei se entrego o contrato à Viação Nações Unidas ou se escondo no meu necromanicon, e o atiro nas cataratas do Niágara dentro de um barril. E nada me é mais saudoso que as canções da dupla Kant e Hans Kelsen, cheias de princípios bonitos para nos guiar.
Eu já atravessava a porta de emergência quando um minotauro, por maldade e razões estéticas, surgiu das sombras para me entregar, silente, uma relíquia arqueológica de valor comparável somente à pedra do mar morto e aos manuscritos de rosetta: o contrato social.
Puído e rasurado, mas ainda assim o contrato original. Assinado por Noé, seus descendentes e a Serpente; registrado no cartório do Céu.
Apesar de meus vagos conhecimentos de bicho-europeu alto, consegui traduzir boa parte do documento no ônibus, e estou aterrorizado.
Toda a gente sabe, desde Matrix I, que o ser humano é repugnante como um chuchu, e não passa de um câncer da natureza. Mas pelo que li, se tigres ou tamanduás estivessem no poder, seria pouco diferente. Sério. Dá uma olhada:
O Contrato Social (made in Ararat, performed by MPB4)
A Regra de Ouro: "É errado ser francês".
I Mandamento: Homem nenhum será, contra a sua vontade, forçado a trocar lâmpadas, ou abrir garrafas e pequenos potes.
II Mand: A propriedade não é um roubo, salvo na orla marítima e durante a temporada.
III Mand: Vegetarianos são a ralé da cadeia alimentar, e portanto não gozam de direito algum. Os hemivegetarianos estão fora.
IV Mand: O despotismo convém aos países quentes, a barbárie aos frios, e a democracia aos Estados pequenos e pobres.
V Mand: Das garantias fundamentais:
- merenda;
- toda religião é verdadeira, exceto o vodu;
- réu nenhum será submetido a siglas ou fogos-de-artifício;
- a imprensada é da defesa;
- não existe guerra ruim;
- hollywood;
- buy viagra online;
E assim vai.
Ainda não sei se entrego o contrato à Viação Nações Unidas ou se escondo no meu necromanicon, e o atiro nas cataratas do Niágara dentro de um barril. E nada me é mais saudoso que as canções da dupla Kant e Hans Kelsen, cheias de princípios bonitos para nos guiar.
sábado, 11 de setembro de 2004
Um mexicano andando de bicicleta
Ok, essa todos conhecem. Indago então o que seria a figura a seguir:

Não, não são dois chineses numa bicicleta só. Direciono meus pêsames a quem respondeu uma ervilha defronte ao lago, ou congênere. Tão certamente quanto os cometas prenunciaram a morte de várias figuras egrégias ao longo dos centênios, esta foi a primeira piada de ervilha da história. A singela piada que anunciou, que deflagrou a morte do espírito humano. Ou pelo menos a primeira de uma grande e tosca série por que foi o mundo acometido ao término do século passado.

ervilha andando de skate
De uma pequena, inocente e inventiva brincadeira, em que tínhamos mexicanos de bicicleta, sanduíches de ovo, a visão da minhoca antes de ser engolida por um pássaro, navios chegando tarde demais para salvar uma bruxa se afogando, passamos às piadas de ervilha, e daí para as de ponto.
Benza Deus que estivéssemos no século XX, tempo da moda, do mutável e das revistas de super-heróis mutantes! Tais piadas alastraram-se rapidamente, contudo também velozmente seu fim chegou. Se fosse na idade média, seriam pelo menos quatro ou seis séculos de piadas de pontos.
O lado ruim da modernidade é que eu faria uma piada de pontos sobre as torres gêmeas, e até uma figura enigmática, mas sou frívolo e não quero soar anacrônico. Além disso, tenho mais o que fazer, em vez de me sentir nostálgico. A começar por ir ao Procordis, que meu braço está dormente, o peito doendo (do lado direito, mas está), não consigo respirar direito, e me impressiono facilmente com o que vejo na CNN. Até qualquer dia.

Não, não são dois chineses numa bicicleta só. Direciono meus pêsames a quem respondeu uma ervilha defronte ao lago, ou congênere. Tão certamente quanto os cometas prenunciaram a morte de várias figuras egrégias ao longo dos centênios, esta foi a primeira piada de ervilha da história. A singela piada que anunciou, que deflagrou a morte do espírito humano. Ou pelo menos a primeira de uma grande e tosca série por que foi o mundo acometido ao término do século passado.

ervilha andando de skate
De uma pequena, inocente e inventiva brincadeira, em que tínhamos mexicanos de bicicleta, sanduíches de ovo, a visão da minhoca antes de ser engolida por um pássaro, navios chegando tarde demais para salvar uma bruxa se afogando, passamos às piadas de ervilha, e daí para as de ponto.
Benza Deus que estivéssemos no século XX, tempo da moda, do mutável e das revistas de super-heróis mutantes! Tais piadas alastraram-se rapidamente, contudo também velozmente seu fim chegou. Se fosse na idade média, seriam pelo menos quatro ou seis séculos de piadas de pontos.
O lado ruim da modernidade é que eu faria uma piada de pontos sobre as torres gêmeas, e até uma figura enigmática, mas sou frívolo e não quero soar anacrônico. Além disso, tenho mais o que fazer, em vez de me sentir nostálgico. A começar por ir ao Procordis, que meu braço está dormente, o peito doendo (do lado direito, mas está), não consigo respirar direito, e me impressiono facilmente com o que vejo na CNN. Até qualquer dia.
You can't hold the truck
A grande vítima do atentado em Beslan, a meu ver, é a indústria têxtil russa. Nunca, em toda minha experiência terrena, vi roupas-de-baixo tão feias, que se aproximassem de tal feiúra! O horror, o horror... da cor (sugestiva) à textura, passando pelo desenho, tudo ali é reprovável. Seria a escola apenas fachada para alguma indústria? Céus, nem em pescaria de festa junina ganhei cuecas tão feias. Não permita Deus que eu morra, trajando aquilo lá. Fora bolinadores de criancinhas socialistas!
quarta-feira, 25 de agosto de 2004
Garçon, desce o revólver
"Foi uma premiação totalmente planejada e nem assim eles reconhecem. Não houve concessões, claro. Mas o prêmio foi planejado por nós. Ou alguém acha que foi à toa que demos prêmios para seis atores negros em um estado como o Rio Grande do Sul, que sempre foi acusado de desprestigiar o negro? Eles agradecem a todos e não se lembram de nós." (Rubens Ewald Filho, presidente do júri do Kikito d'Ouro)
Garçon, faz favor...
Garçon, faz favor...
domingo, 15 de agosto de 2004
Pureza de Sentimentos
Bernardinho de pé a um palmo da quadra. Bernardinho praguejando sem parar. Bernardinho não sabe esconder seus sentimentos. Bernardinho é um cachorro. São indistinguíveis.
Eu sempre soube que os padrões que regem a vida em nossa sociedade eram padrões de macaco, de cachorro. Mas, desde que provei do fruto da árvore do bem e do mal, sinto-me um pouco triste quando tal verdade me é esfregada na cara -- como se fora a genitália daquelas cabrochas no carnaval.
Match Point para o Brasil, o país da goleira Chana.
Eu sempre soube que os padrões que regem a vida em nossa sociedade eram padrões de macaco, de cachorro. Mas, desde que provei do fruto da árvore do bem e do mal, sinto-me um pouco triste quando tal verdade me é esfregada na cara -- como se fora a genitália daquelas cabrochas no carnaval.
Match Point para o Brasil, o país da goleira Chana.
quarta-feira, 4 de agosto de 2004
Natação: circo ou confeitaria?
Competições demais e ridículas; bobas, improváveis. Daqui a pouco, no atletismo, põem 400m cambalhota, ou 800m dis costas, ou aros flamejantes nos 3 mil metros com obstáculos.
O que eu tenho a ver com isso? Nada realmente, a cerimônia de abertura é muito mais degradante. E alguns dirão que gente de touca e cueca na tevê só pode ser ridículo, sobretudo se do lado alguém estiver fantasiado de tubarão.
Concordo, embora, é claro, a gente se acostume a quase tudo se derem tempo. Pensava apenas nas dificuldades de se fazer um bom filme oficial.
O que eu tenho a ver com isso? Nada realmente, a cerimônia de abertura é muito mais degradante. E alguns dirão que gente de touca e cueca na tevê só pode ser ridículo, sobretudo se do lado alguém estiver fantasiado de tubarão.
Concordo, embora, é claro, a gente se acostume a quase tudo se derem tempo. Pensava apenas nas dificuldades de se fazer um bom filme oficial.
sexta-feira, 9 de julho de 2004
Quem usa a palavra DNA é burro
Podia ser pior, podia ser "o alfabeto da vida".
- acata (ata)
- ataca (taca)
- gata cata / ágata
- caga (caca)
- gagá
É um bom resumo. O RNA permite outras construções interessantes.
As palavras entre parênteses poderão ser omitidas. Deve-se ler ágata apenas na segunda vez.* O agá está de fora. Um, dois, cinco...
(*) o primeiro "a gata cata" refere-se a raízes e tubérculos, tudo desembocando no caga. Numa segunda leitura, acrescenta-se ágata como símbolo da vaidade, e meio de se catar as mina.
Exemplos de brincadeiras com o RNA:
Uga-Uga
Cuca gagá caga água
Uaca-uaca-uaca
Muito melhor. Donde se conclui que o empobrecimento da linguagem com o tempo é fenômeno inerente à vida.
- acata (ata)
- ataca (taca)
- gata cata / ágata
- caga (caca)
- gagá
É um bom resumo. O RNA permite outras construções interessantes.
As palavras entre parênteses poderão ser omitidas. Deve-se ler ágata apenas na segunda vez.* O agá está de fora. Um, dois, cinco...
(*) o primeiro "a gata cata" refere-se a raízes e tubérculos, tudo desembocando no caga. Numa segunda leitura, acrescenta-se ágata como símbolo da vaidade, e meio de se catar as mina.
Exemplos de brincadeiras com o RNA:
Uga-Uga
Cuca gagá caga água
Uaca-uaca-uaca
Muito melhor. Donde se conclui que o empobrecimento da linguagem com o tempo é fenômeno inerente à vida.
sexta-feira, 18 de junho de 2004
Glutamato de Monossódio
A filosofia ocidental nunca chegou a lugar algum; e toda vez que chegou, precisou dar meia-volta.
Nossos filósofos sempre ou foram nefelibatas, ou onanistas mentais. E depois que descobriram as lógicas heterodoxas, parece que toda a esperança foi para o brejo.
Não que as discussões intermináveis e infrutíferas tenham acabado: ainda há alguns espíritos vagando por aí. E não sem pompa ou hermetismo: falta de um bom tapão na nuca.
O oriente está tão à nossa frente, que chego a me envergonhar.
Quando um sujeito tinha uma certa filosofia, criava logo uma arte marcial junto. Que a complementava, provava e justificava. Para saber qual a melhor filosofia, nada mais fácil: bastava sair na pancada.
Foi assim que evoluíram e nos ultrapassaram. Enquanto Kant tropeçava pelas vielas mal conservadas de Königsberg, compenetrado numa prova para si mesmo de que o tempo fosse muito mais que o horário em que saía pra comprar pão, os orientais já estavam no dojô há meia-hora resolvendo as discussões.
Não existe nada mais filosófico no mundo que um bom ringue de vale-tudo, e tanto melhor se for um octagon. Mestre Chiun é meu pastor, e pancada não faltará. O Sinanju é o Sol.
Nossos filósofos sempre ou foram nefelibatas, ou onanistas mentais. E depois que descobriram as lógicas heterodoxas, parece que toda a esperança foi para o brejo.
Não que as discussões intermináveis e infrutíferas tenham acabado: ainda há alguns espíritos vagando por aí. E não sem pompa ou hermetismo: falta de um bom tapão na nuca.
O oriente está tão à nossa frente, que chego a me envergonhar.
Quando um sujeito tinha uma certa filosofia, criava logo uma arte marcial junto. Que a complementava, provava e justificava. Para saber qual a melhor filosofia, nada mais fácil: bastava sair na pancada.
Foi assim que evoluíram e nos ultrapassaram. Enquanto Kant tropeçava pelas vielas mal conservadas de Königsberg, compenetrado numa prova para si mesmo de que o tempo fosse muito mais que o horário em que saía pra comprar pão, os orientais já estavam no dojô há meia-hora resolvendo as discussões.
Não existe nada mais filosófico no mundo que um bom ringue de vale-tudo, e tanto melhor se for um octagon. Mestre Chiun é meu pastor, e pancada não faltará. O Sinanju é o Sol.
quarta-feira, 16 de junho de 2004
K.M.R.I.A.
"Vou começar ignorando o necessário, depois vamos adiar o possível, e, quando a gente menos perceber, vamos estar tornando até o simples impossível." (discurso de integração de posse)
Outra declaração interessante do presidente foi a de que "vou cuidar do Brasil como cuido do meu filho." Ou seja: vai mandar abortar. Ainda não sei do que o pessoal tanto reclama.
Outra declaração interessante do presidente foi a de que "vou cuidar do Brasil como cuido do meu filho." Ou seja: vai mandar abortar. Ainda não sei do que o pessoal tanto reclama.
quarta-feira, 2 de junho de 2004
Brasil do Inverno Passado
A memória do país não é curta, até hoje minha empregada sabe quem matou Odete Reutmann; a memória do país é burra, só lembra do que não presta. Para combater isso, apenas as palavras do filósofo. Sei que já as publiquei, mas não custa repetir. Servir a gosto:
"Noventa e nove porcento da população é composta por gente primária, absolutamente primária: que não usa sua capacidade mental, e por isso é idiota, ou é tonta mesmo. A sociedade é mais do que burra, é uma mula: qualquer pessoa que tente fazer uma coisa sensata esbarra na sociedade."
"Quando vocês forem estudar um tema, não queiram passar de linha para linha, entendendo tudo o que o autor está dizendo; isso é burrada! Tentem, vão para frente. A comparação de que a Matemática é uma escada, isso é burrice pública, coisa de gente idiota. Há infinitas maneiras de encarar a coisa, por mais que vocês voltem, nunca esgotam – isto é que significa beleza: a não trivialidade, o não encantamento superficial; aquilo cuja familiaridade não destrói o interesse; por isso é que essas músicas de Antônio José e José Serafim são ruins, porque só um idiota consegue ficar ouvindo dez vezes Roberto Carlos cantando, só se ele for tonto, é a definição de burrice."
"A nossa educação faz de vocês exatamente isso que você está dizendo; mas isso é bom, é bom pro sistema, pra tudo; é a mentalidade de um militar. O cara não pensar, é ótimo; na verdade, não pensar é algo formidável, porque pensar dói; pensar dói, rapaz, por isso que 99% das pessoas não pensam; 99.
Não há flexibilidade, é uma lógica obtusa, é uma lógica tonta, é uma barbaridade; mas é isso que todo mundo quer. Se você pensar, você vai criar caso, rapaz. Eu não sei se você tá pensando, que na hora que você está respirando aí, você tá poluindo o meu ar; se eu puder te dar um chute, será genial. Na nossa Universidade, o ideal seria que os caras não pensassem.
Mais ainda: tudo é uma palhaçada. Eu estava em Brasília, na Reunião do Progresso da Ciência, e houve uma mesa lá; estavam discutindo como melhorar o Brasil: ensinar português, pintar nuvem, pintar os prédios da Universidade; eu comecei a olhar aquilo, mas me irritou... Então eu entrei naquele bruto prédio de Brasília pra fazer xixi; fui em todos os banheiros; eu não podia entrar nos banheiros. Em Brasília, não se sabe defecar, não se sabe de-fe-car; não se sabe cagar! Um povo que não sabe defecar, como é que pode pensar? Um povo que tem na bandeira uma bola, e só sabe jogar futebol, e nem futebol joga direito. Um país que queria ter o Pelé como presidente, e até que podia ser, vendo esses que estão por aí... Esse é o Brasil. O Brasil é um país de farsa, de tonto, de louco, de idiota.
É melhor não pensar! O meu filho uma vez me perguntou por que tinha cinzeiro no carro, se ele vê todo mundo cuspir, jogar troço pra fora, urinar... É um povo minhoca, as duas partes são iguais! É tudo status quo, baralho; vocês não são criados pra pensar, pra criar: vocês são criados para serem o parafuso de uma máquina que serve pra outra!"
"O nível da nossa Universidade é um nível de imbecis. Noventa porcento dos alunos, eu não vejo diferença essencial entre eles e um jogador de futebol do São Paulo – Garrincha foi um jogador de futebol sensacional, mas era um débil mental. Não queremos criar garrinchas; não que não precisemos, mas a nossa finalidade não é ser garrinchas, embora os formemos.
Na hora de orientar ou de reprovar um aluno, criam-se problemas éticos. Você é professor, e vai reprovar o aluno; aí você pensa: “Mas pra que eu vou reprovar esse cara? Isso aqui é uma farsa, tudo é uma palhaçada!” Essa não é uma questão em que há verdadeiro ou falso, é uma questão ética; e você tem que ter uma posição definida. Esse é o problema do Brasil, as pessoas não têm isso; não percebem que é impossível tirar lasquinha sempre. O Brasil é um povo bruto, de primários, de trogloditas. O Brasil é o fim do poço: gente primária, boçal, idiota, um nível de novela de televisão. Nós somos gente de caverna, gente estúpida, que não sabe o que é aula, que não sabe o que é Universidade, que não sabe coisa nenhuma. É com esse material humano boçal que nós temos de lidar, é essa massa porca que nós temos de arrumar."
"Noventa e nove porcento da população é composta por gente primária, absolutamente primária: que não usa sua capacidade mental, e por isso é idiota, ou é tonta mesmo. A sociedade é mais do que burra, é uma mula: qualquer pessoa que tente fazer uma coisa sensata esbarra na sociedade."
"Quando vocês forem estudar um tema, não queiram passar de linha para linha, entendendo tudo o que o autor está dizendo; isso é burrada! Tentem, vão para frente. A comparação de que a Matemática é uma escada, isso é burrice pública, coisa de gente idiota. Há infinitas maneiras de encarar a coisa, por mais que vocês voltem, nunca esgotam – isto é que significa beleza: a não trivialidade, o não encantamento superficial; aquilo cuja familiaridade não destrói o interesse; por isso é que essas músicas de Antônio José e José Serafim são ruins, porque só um idiota consegue ficar ouvindo dez vezes Roberto Carlos cantando, só se ele for tonto, é a definição de burrice."
"A nossa educação faz de vocês exatamente isso que você está dizendo; mas isso é bom, é bom pro sistema, pra tudo; é a mentalidade de um militar. O cara não pensar, é ótimo; na verdade, não pensar é algo formidável, porque pensar dói; pensar dói, rapaz, por isso que 99% das pessoas não pensam; 99.
Não há flexibilidade, é uma lógica obtusa, é uma lógica tonta, é uma barbaridade; mas é isso que todo mundo quer. Se você pensar, você vai criar caso, rapaz. Eu não sei se você tá pensando, que na hora que você está respirando aí, você tá poluindo o meu ar; se eu puder te dar um chute, será genial. Na nossa Universidade, o ideal seria que os caras não pensassem.
Mais ainda: tudo é uma palhaçada. Eu estava em Brasília, na Reunião do Progresso da Ciência, e houve uma mesa lá; estavam discutindo como melhorar o Brasil: ensinar português, pintar nuvem, pintar os prédios da Universidade; eu comecei a olhar aquilo, mas me irritou... Então eu entrei naquele bruto prédio de Brasília pra fazer xixi; fui em todos os banheiros; eu não podia entrar nos banheiros. Em Brasília, não se sabe defecar, não se sabe de-fe-car; não se sabe cagar! Um povo que não sabe defecar, como é que pode pensar? Um povo que tem na bandeira uma bola, e só sabe jogar futebol, e nem futebol joga direito. Um país que queria ter o Pelé como presidente, e até que podia ser, vendo esses que estão por aí... Esse é o Brasil. O Brasil é um país de farsa, de tonto, de louco, de idiota.
É melhor não pensar! O meu filho uma vez me perguntou por que tinha cinzeiro no carro, se ele vê todo mundo cuspir, jogar troço pra fora, urinar... É um povo minhoca, as duas partes são iguais! É tudo status quo, baralho; vocês não são criados pra pensar, pra criar: vocês são criados para serem o parafuso de uma máquina que serve pra outra!"
"O nível da nossa Universidade é um nível de imbecis. Noventa porcento dos alunos, eu não vejo diferença essencial entre eles e um jogador de futebol do São Paulo – Garrincha foi um jogador de futebol sensacional, mas era um débil mental. Não queremos criar garrinchas; não que não precisemos, mas a nossa finalidade não é ser garrinchas, embora os formemos.
Na hora de orientar ou de reprovar um aluno, criam-se problemas éticos. Você é professor, e vai reprovar o aluno; aí você pensa: “Mas pra que eu vou reprovar esse cara? Isso aqui é uma farsa, tudo é uma palhaçada!” Essa não é uma questão em que há verdadeiro ou falso, é uma questão ética; e você tem que ter uma posição definida. Esse é o problema do Brasil, as pessoas não têm isso; não percebem que é impossível tirar lasquinha sempre. O Brasil é um povo bruto, de primários, de trogloditas. O Brasil é o fim do poço: gente primária, boçal, idiota, um nível de novela de televisão. Nós somos gente de caverna, gente estúpida, que não sabe o que é aula, que não sabe o que é Universidade, que não sabe coisa nenhuma. É com esse material humano boçal que nós temos de lidar, é essa massa porca que nós temos de arrumar."
segunda-feira, 31 de maio de 2004
A moçada misturou suor, talco e poeira
"O consumo do tabaco aumenta a desigualdade social."
Parei. Chega de propaganda do governo. O futuro ao Paraguai pertence.
Parei. Chega de propaganda do governo. O futuro ao Paraguai pertence.
sexta-feira, 7 de maio de 2004
Hitler's Journal
O único livro que falta em minha lista. Não sei se existe, e pouco me importa: creio piamente que seja a maior obra de todos os tempos -- ou pelo menos tenha tantos volumes quanto a de Napoleão.
1941.VI.22: resolvi finalmente invadir a Rússia, só para confundir os historiadores. Quando vazar que se chama Operação Barba-Roxa, reinará o caos nas academias. Se perder esta guerra, pelo menos vão junto.
PS: verificar o coleção de trenzinhas do museu de Kiev.
PPS: comprar calças mais folgadas nas coxas, talvez de tergal.
1941.VI.22: resolvi finalmente invadir a Rússia, só para confundir os historiadores. Quando vazar que se chama Operação Barba-Roxa, reinará o caos nas academias. Se perder esta guerra, pelo menos vão junto.
PS: verificar o coleção de trenzinhas do museu de Kiev.
PPS: comprar calças mais folgadas nas coxas, talvez de tergal.
quinta-feira, 29 de abril de 2004
Enchendo a boca
Sempre que escuto um doutor falar que sua profissão é salvar vidas, minha primeira reação é perguntar: "o senhor é bombeiro"?
sexta-feira, 16 de abril de 2004
sexta-feira, 26 de março de 2004
Antologia (mcmxiv): A História Sem Fim
_ Quando chegar a sua vez de saltar para o Nada, você também se transformará num servidor do poder, desfigurado e sem vontade própria. Quem sabe para o que vai servir. É possível que, com sua ajuda, se possam convencer os homens a comprar o que não necessitam, a odiar o que não conhecem, a acreditar em que os domina ou a duvidar de quem os poderia salvar. Por seu intermédio, pequenos seres de Fantasia, fazem-se grandes negócios no mundo dos homens, desencadeiam-se guerras, fundam-se impérios...
_ Há também uma quantidade de pobres tontos que, naturalmente, julgam-se muito inteligentes e pensam servir à verdade, e não encontram nada melhor para fazer que dissuadir as crianças da existência de Fantasia. Talvez você possa ser útil a eles...
_ Agora que você sabe como pode chegar ao mundo dos homens, continua a querer fazer isso, filhinho?
__ Não quero me transformar numa mentira.
_ Mas é o que vai acontecer, quer você queira, quer não (...) morreremos juntos, mas de maneiras muito diferentes, pequeno louco. Porque eu morrerei antes de o Nada aqui chegar, mas você vai ser tragado por ele. É uma grande diferença. A história daquele que morre antes de ser tragado pelo Nada acaba, mas a sua continua eternamente, sob a forma de uma mentira.
_ Há também uma quantidade de pobres tontos que, naturalmente, julgam-se muito inteligentes e pensam servir à verdade, e não encontram nada melhor para fazer que dissuadir as crianças da existência de Fantasia. Talvez você possa ser útil a eles...
_ Agora que você sabe como pode chegar ao mundo dos homens, continua a querer fazer isso, filhinho?
__ Não quero me transformar numa mentira.
_ Mas é o que vai acontecer, quer você queira, quer não (...) morreremos juntos, mas de maneiras muito diferentes, pequeno louco. Porque eu morrerei antes de o Nada aqui chegar, mas você vai ser tragado por ele. É uma grande diferença. A história daquele que morre antes de ser tragado pelo Nada acaba, mas a sua continua eternamente, sob a forma de uma mentira.
terça-feira, 23 de março de 2004
Puxem a água, que eu quero descer
Defendo o voto censitário.
Pode não melhorar nada, mas pelo menos eu não ia precisar votar.
Pode não melhorar nada, mas pelo menos eu não ia precisar votar.
terça-feira, 16 de março de 2004
Imortalidade
Encaro a mortalidade cada vez que encontro a face de meu avô no rosto de meu pai.
Dizem que a descoberta da mortalidade foi uma grande queda. Lendo as declarações de Truffaut, Allen e Borges, parece que a evitar por meio da obra não é aconselhável. O ceguinho dizia mesmo ninguém ter o direito de lembrar-se dos mortos, mas era só frase de efeito.
Dentre todas as formas de buscar a imortalidade, talvez a menos venerada ou romântica seja o acaso, todavia é uma das mais interessantes. Múmias não me interessam, desenhos e esculturas têm sua graça; porém o que mais aprecio são as cartas.
As cartas causam sensações paradoxais: ao mesmo tempo que nos vemos num distante passado, há sempre um elemento cotidiano próximo. Desta síntese sobrevem, invariavelmente, a consciência da mortalidade.
E as correspondências costumam revelar problemas e aflições que jamais saberemos como foram solucionadas, e a dúvida de até que ponto importa.
De qualquer modo, minha sugestão é parar de usar e-mail e começar a talhar cartas em madeira ou pedra: é caro, dá trabalho, porém é um dos meios mais seguros de se atingir a imortalidade.
Dizem que a descoberta da mortalidade foi uma grande queda. Lendo as declarações de Truffaut, Allen e Borges, parece que a evitar por meio da obra não é aconselhável. O ceguinho dizia mesmo ninguém ter o direito de lembrar-se dos mortos, mas era só frase de efeito.
Dentre todas as formas de buscar a imortalidade, talvez a menos venerada ou romântica seja o acaso, todavia é uma das mais interessantes. Múmias não me interessam, desenhos e esculturas têm sua graça; porém o que mais aprecio são as cartas.
As cartas causam sensações paradoxais: ao mesmo tempo que nos vemos num distante passado, há sempre um elemento cotidiano próximo. Desta síntese sobrevem, invariavelmente, a consciência da mortalidade.
E as correspondências costumam revelar problemas e aflições que jamais saberemos como foram solucionadas, e a dúvida de até que ponto importa.
De qualquer modo, minha sugestão é parar de usar e-mail e começar a talhar cartas em madeira ou pedra: é caro, dá trabalho, porém é um dos meios mais seguros de se atingir a imortalidade.
quinta-feira, 11 de março de 2004
É a tortura justificável?
Depende do caboclo. O responsável pela programação da globo deve achar que é.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004
terça-feira, 27 de janeiro de 2004
Efeito Braboleta
Um idiota fala uma frase sobre borboletas na China e ela é repetida no mundo inteiro. O deslocamento de ar devido à repetição da frase faz com que o efeito erroneamente previsto se converta em realidade.
Um cientista se levanta. Antes de sair da sala em que a palestra sobre o novo efeito é anunciado, chuta uma lata de lixo e dá um murro na porta. As pessoas no interior se perguntam qual será o efeito disso.
O cientista é visto no hospital, quinze minutos mais tarde, cuidando de um dedo quebrado. Sem testemunhas, uma árvore tomba na floresta.
Um cientista se levanta. Antes de sair da sala em que a palestra sobre o novo efeito é anunciado, chuta uma lata de lixo e dá um murro na porta. As pessoas no interior se perguntam qual será o efeito disso.
O cientista é visto no hospital, quinze minutos mais tarde, cuidando de um dedo quebrado. Sem testemunhas, uma árvore tomba na floresta.
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