Filosofia: como as roupas e a alma imortal, é o que distingue o homem dos animais. A filosofia foi criada por homens que amavam tanto o saber, que decidiram destruir tudo aquilo que era conhecido.
A Grécia antiga foi o berço da civilização, e naturalmente a mãe da Filosofia. Lá coexistiam dois tipos de filósofos: os sofistas e os socráticos.
Os sofistas eram pagos à vista, e os socráticos pagavam pra ver. Os sofistas viviam bem e ensinavam o necessário a uma vida de sucesso e galhardia; os socráticos diziam que estava tudo errado, e morriam envenenados para provar que estavam certos.
Depois que a toga saiu de moda, os dois grupos foram esquecidos por mais de dois mil anos, mas a história das correntes contrárias não. Durante a renascença, a filosofia viu-se uma vez mais em voga, e os sábios trajaram as melhores roupas possíveis, a fim de rolarem na lama e se apedrejarem em público.
Diante de tanta controvérsia e desenvolvimento, no século XX houve um grande exercício editorial, e os maiores filosófos de todos os tempos foram coligidos na coleção Os Pensadores. A academia logo concluiu que nada do que tivessem dito estava correto, e a filosofia clássica morreu, sobrando apenas a filosofia de vida e a filosofia de jogo.
A filosofia de vida foi inventada nos Estados Unidos, e seu objetivo era não ser cumprida a partir da segunda semana. A filosofia de jogo durava um pouco mais. Havia os filófosos que defendiam o jogo feio, mas de resultados, e os que argumentavam em prol da beleza. Os que jogavam feio costumavam perder seus jogos, e os que jogavam bonito em menos de um mês perdiam o emprego.
A filosofia, portanto, só funciona quando não serve pra nada. E se serve pra alguma coisa, aguarde e confie...