A filosofia ocidental nunca chegou a lugar algum; e toda vez que chegou, precisou dar meia-volta.
Nossos filósofos sempre ou foram nefelibatas, ou onanistas mentais. E depois que descobriram as lógicas heterodoxas, parece que toda a esperança foi para o brejo.
Não que as discussões intermináveis e infrutíferas tenham acabado: ainda há alguns espíritos vagando por aí. E não sem pompa ou hermetismo: falta de um bom tapão na nuca.
O oriente está tão à nossa frente, que chego a me envergonhar.
Quando um sujeito tinha uma certa filosofia, criava logo uma arte marcial junto. Que a complementava, provava e justificava. Para saber qual a melhor filosofia, nada mais fácil: bastava sair na pancada.
Foi assim que evoluíram e nos ultrapassaram. Enquanto Kant tropeçava pelas vielas mal conservadas de Königsberg, compenetrado numa prova para si mesmo de que o tempo fosse muito mais que o horário em que saía pra comprar pão, os orientais já estavam no dojô há meia-hora resolvendo as discussões.
Não existe nada mais filosófico no mundo que um bom ringue de vale-tudo, e tanto melhor se for um octagon. Mestre Chiun é meu pastor, e pancada não faltará. O Sinanju é o Sol.
sexta-feira, 18 de junho de 2004
quarta-feira, 16 de junho de 2004
K.M.R.I.A.
"Vou começar ignorando o necessário, depois vamos adiar o possível, e, quando a gente menos perceber, vamos estar tornando até o simples impossível." (discurso de integração de posse)
Outra declaração interessante do presidente foi a de que "vou cuidar do Brasil como cuido do meu filho." Ou seja: vai mandar abortar. Ainda não sei do que o pessoal tanto reclama.
Outra declaração interessante do presidente foi a de que "vou cuidar do Brasil como cuido do meu filho." Ou seja: vai mandar abortar. Ainda não sei do que o pessoal tanto reclama.
quarta-feira, 2 de junho de 2004
Brasil do Inverno Passado
A memória do país não é curta, até hoje minha empregada sabe quem matou Odete Reutmann; a memória do país é burra, só lembra do que não presta. Para combater isso, apenas as palavras do filósofo. Sei que já as publiquei, mas não custa repetir. Servir a gosto:
"Noventa e nove porcento da população é composta por gente primária, absolutamente primária: que não usa sua capacidade mental, e por isso é idiota, ou é tonta mesmo. A sociedade é mais do que burra, é uma mula: qualquer pessoa que tente fazer uma coisa sensata esbarra na sociedade."
"Quando vocês forem estudar um tema, não queiram passar de linha para linha, entendendo tudo o que o autor está dizendo; isso é burrada! Tentem, vão para frente. A comparação de que a Matemática é uma escada, isso é burrice pública, coisa de gente idiota. Há infinitas maneiras de encarar a coisa, por mais que vocês voltem, nunca esgotam – isto é que significa beleza: a não trivialidade, o não encantamento superficial; aquilo cuja familiaridade não destrói o interesse; por isso é que essas músicas de Antônio José e José Serafim são ruins, porque só um idiota consegue ficar ouvindo dez vezes Roberto Carlos cantando, só se ele for tonto, é a definição de burrice."
"A nossa educação faz de vocês exatamente isso que você está dizendo; mas isso é bom, é bom pro sistema, pra tudo; é a mentalidade de um militar. O cara não pensar, é ótimo; na verdade, não pensar é algo formidável, porque pensar dói; pensar dói, rapaz, por isso que 99% das pessoas não pensam; 99.
Não há flexibilidade, é uma lógica obtusa, é uma lógica tonta, é uma barbaridade; mas é isso que todo mundo quer. Se você pensar, você vai criar caso, rapaz. Eu não sei se você tá pensando, que na hora que você está respirando aí, você tá poluindo o meu ar; se eu puder te dar um chute, será genial. Na nossa Universidade, o ideal seria que os caras não pensassem.
Mais ainda: tudo é uma palhaçada. Eu estava em Brasília, na Reunião do Progresso da Ciência, e houve uma mesa lá; estavam discutindo como melhorar o Brasil: ensinar português, pintar nuvem, pintar os prédios da Universidade; eu comecei a olhar aquilo, mas me irritou... Então eu entrei naquele bruto prédio de Brasília pra fazer xixi; fui em todos os banheiros; eu não podia entrar nos banheiros. Em Brasília, não se sabe defecar, não se sabe de-fe-car; não se sabe cagar! Um povo que não sabe defecar, como é que pode pensar? Um povo que tem na bandeira uma bola, e só sabe jogar futebol, e nem futebol joga direito. Um país que queria ter o Pelé como presidente, e até que podia ser, vendo esses que estão por aí... Esse é o Brasil. O Brasil é um país de farsa, de tonto, de louco, de idiota.
É melhor não pensar! O meu filho uma vez me perguntou por que tinha cinzeiro no carro, se ele vê todo mundo cuspir, jogar troço pra fora, urinar... É um povo minhoca, as duas partes são iguais! É tudo status quo, baralho; vocês não são criados pra pensar, pra criar: vocês são criados para serem o parafuso de uma máquina que serve pra outra!"
"O nível da nossa Universidade é um nível de imbecis. Noventa porcento dos alunos, eu não vejo diferença essencial entre eles e um jogador de futebol do São Paulo – Garrincha foi um jogador de futebol sensacional, mas era um débil mental. Não queremos criar garrinchas; não que não precisemos, mas a nossa finalidade não é ser garrinchas, embora os formemos.
Na hora de orientar ou de reprovar um aluno, criam-se problemas éticos. Você é professor, e vai reprovar o aluno; aí você pensa: “Mas pra que eu vou reprovar esse cara? Isso aqui é uma farsa, tudo é uma palhaçada!” Essa não é uma questão em que há verdadeiro ou falso, é uma questão ética; e você tem que ter uma posição definida. Esse é o problema do Brasil, as pessoas não têm isso; não percebem que é impossível tirar lasquinha sempre. O Brasil é um povo bruto, de primários, de trogloditas. O Brasil é o fim do poço: gente primária, boçal, idiota, um nível de novela de televisão. Nós somos gente de caverna, gente estúpida, que não sabe o que é aula, que não sabe o que é Universidade, que não sabe coisa nenhuma. É com esse material humano boçal que nós temos de lidar, é essa massa porca que nós temos de arrumar."
"Noventa e nove porcento da população é composta por gente primária, absolutamente primária: que não usa sua capacidade mental, e por isso é idiota, ou é tonta mesmo. A sociedade é mais do que burra, é uma mula: qualquer pessoa que tente fazer uma coisa sensata esbarra na sociedade."
"Quando vocês forem estudar um tema, não queiram passar de linha para linha, entendendo tudo o que o autor está dizendo; isso é burrada! Tentem, vão para frente. A comparação de que a Matemática é uma escada, isso é burrice pública, coisa de gente idiota. Há infinitas maneiras de encarar a coisa, por mais que vocês voltem, nunca esgotam – isto é que significa beleza: a não trivialidade, o não encantamento superficial; aquilo cuja familiaridade não destrói o interesse; por isso é que essas músicas de Antônio José e José Serafim são ruins, porque só um idiota consegue ficar ouvindo dez vezes Roberto Carlos cantando, só se ele for tonto, é a definição de burrice."
"A nossa educação faz de vocês exatamente isso que você está dizendo; mas isso é bom, é bom pro sistema, pra tudo; é a mentalidade de um militar. O cara não pensar, é ótimo; na verdade, não pensar é algo formidável, porque pensar dói; pensar dói, rapaz, por isso que 99% das pessoas não pensam; 99.
Não há flexibilidade, é uma lógica obtusa, é uma lógica tonta, é uma barbaridade; mas é isso que todo mundo quer. Se você pensar, você vai criar caso, rapaz. Eu não sei se você tá pensando, que na hora que você está respirando aí, você tá poluindo o meu ar; se eu puder te dar um chute, será genial. Na nossa Universidade, o ideal seria que os caras não pensassem.
Mais ainda: tudo é uma palhaçada. Eu estava em Brasília, na Reunião do Progresso da Ciência, e houve uma mesa lá; estavam discutindo como melhorar o Brasil: ensinar português, pintar nuvem, pintar os prédios da Universidade; eu comecei a olhar aquilo, mas me irritou... Então eu entrei naquele bruto prédio de Brasília pra fazer xixi; fui em todos os banheiros; eu não podia entrar nos banheiros. Em Brasília, não se sabe defecar, não se sabe de-fe-car; não se sabe cagar! Um povo que não sabe defecar, como é que pode pensar? Um povo que tem na bandeira uma bola, e só sabe jogar futebol, e nem futebol joga direito. Um país que queria ter o Pelé como presidente, e até que podia ser, vendo esses que estão por aí... Esse é o Brasil. O Brasil é um país de farsa, de tonto, de louco, de idiota.
É melhor não pensar! O meu filho uma vez me perguntou por que tinha cinzeiro no carro, se ele vê todo mundo cuspir, jogar troço pra fora, urinar... É um povo minhoca, as duas partes são iguais! É tudo status quo, baralho; vocês não são criados pra pensar, pra criar: vocês são criados para serem o parafuso de uma máquina que serve pra outra!"
"O nível da nossa Universidade é um nível de imbecis. Noventa porcento dos alunos, eu não vejo diferença essencial entre eles e um jogador de futebol do São Paulo – Garrincha foi um jogador de futebol sensacional, mas era um débil mental. Não queremos criar garrinchas; não que não precisemos, mas a nossa finalidade não é ser garrinchas, embora os formemos.
Na hora de orientar ou de reprovar um aluno, criam-se problemas éticos. Você é professor, e vai reprovar o aluno; aí você pensa: “Mas pra que eu vou reprovar esse cara? Isso aqui é uma farsa, tudo é uma palhaçada!” Essa não é uma questão em que há verdadeiro ou falso, é uma questão ética; e você tem que ter uma posição definida. Esse é o problema do Brasil, as pessoas não têm isso; não percebem que é impossível tirar lasquinha sempre. O Brasil é um povo bruto, de primários, de trogloditas. O Brasil é o fim do poço: gente primária, boçal, idiota, um nível de novela de televisão. Nós somos gente de caverna, gente estúpida, que não sabe o que é aula, que não sabe o que é Universidade, que não sabe coisa nenhuma. É com esse material humano boçal que nós temos de lidar, é essa massa porca que nós temos de arrumar."
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