quarta-feira, 30 de agosto de 2006

O Thesouro da Juventude

Direto do Livro dos Porquês:

- Por que não é possivel obter um vacuo perfeito?

Ha quem creia que, se continuassemos a applicar a bomba durante o tempo necessario, conseguiriamos, por fim, obter um vacuo perfeito; mas não é assim. Supponhamos mesmo que tinhamos uma bomba perfeita e que, em cada movimanto do embolo, conseguiamos extrahir metade do ar que existe dentro do globo. Depois do primeiro movimento do embolo, tinhamos extrahido metade do ar total; depois do segundo, as as tres quartas partes do mesmo, depois do terceiro, os sete oitavos; depois do quarto, os quinze dezesseis avos, etc., de modo que ficará sempre algum ar lá dentro. Ninguem poude nem jamais poderá fazer em sitio algum um vacuo perfeito. Alem da machina pneumatica, há outros processos de fazer o vacuo, mas nenhum delles é perfeito, embora algum seja superior ao da referida machina.

- Poderemos transportar-nos um dia a outro planeta?

Um dos homens mais illustres que teem existido disse que os verdadeiros ignorantes eram os que se supunham sufficientemente sabios para affirmar que os homens nunca poderiam fazer ou descobrir esta ou aquella cousa; e a historia dos conhecimentos humanos deu-lhe razão. Comtudo, mesmo sem nos esquecermos d'estas palavras inclinamo-nos a crer que a resposta deve ser absolutamente negativa. Julio Verne escreveu uma historia engenhosa e interessante de uns homens que foram lançados á lua dentro de um volumoso projectil de canhão; mas nem mesmo nos nossos dias isto é possivel. E esta historia refere-se á lua que só dista de nós 444.480 kilometros; emquanto todo o systema solar teria que mudar muito para que a terra chegasse a encontrar-se a menos de 37.040.000 kilometros de outro planeta qualquer. Não existe força alguma capaz de enviar a semelhante distancia um projectil, mesmo suppondo que pudesse estar certa a pontaria da peça que o lançasse, e que as pessoas que fossem dentro delle pudessem resistir ao tremendo choque que experimentariam no momento em que a peça disparasse. Mas supponhamos que os homens inventavam um apparelho que produzisse a força no seu interior, uma machina de voar extraordinária. A principal difficuldade estaria em que, a uma certa altura, embora os aviadores levassem muita provisão de ar para respirar ou os meios de o fabricarem, o propulsor do apparelho não teria ar em que se apoiasse. No vacuo, nem a ave mais vigorosa poderia aguentar, e o mesmo aconteceria com o homem que pretendesse nadar ou conservar-se ao nivel das bordas num tanque sem agua. Mas supponhamos tambem que esta difficuldade não existia; mesmo assim, ainda se topava com outra insuperavel. Os aviadores teriam que navegar muitos milhões de kilometros atravez do espaço gelado. Ninguem pode imaginar o frio horrivel que reina nessas regiões; basta, porém, dizer que a permanencia de uns tantos minutos apenas nellas, gelaria os nossos corpos, privando-os da vida. Embora se dirigissem a Marte com a velocidade da luz--o que podemos affirmar que os homens jamais conseguirão--morreriam antes de chegar a este planeta.

- Podemos algum dia nos communicar com outro planeta?

Esta pergunta differe essencialmente da anterior. Antes de mais nada, é preciso dar como assente que, em outro planeta, em Marte, por exemplo, ha seres dotados de intelligencia, o que é bastante verosimil. Se isto é assim, não há razão para que não possamos communicar com elles de algum modo. É claro que terão de começar por apprender a interpretar o que lhes queremos dizer; mas isto não constituiria uma difficuldade tão insuperavel, como a que a transmissão do som representa. Em França está reservado um grande premio para a primeira pessoa que estabeleça a communicação com qualquer planeta, e talvez chegue o dia em que alguem o ganhe. Se em Marte ha seres intelligentes, é provavel que sejam muito mais instruídos que nós, porque Marte é um mundo muito mais antigo que o nosso, e por consequencia os seus habitantes tem tido mais tempo para se instruir e aperfeiçoar. É possivel que, ha já muitos seculos, estejam tratando de chamar a attenção para elles, e que esperem, com anciedade, o momento em que os habitantes da terra se tornem sufficientemente intelligentes para os poderem comprehender. Até se tem chegado a insinuar, embora não muito a serio, que o grande systema de canaes que se observa no referido planeta -- ecujas dimensões são bastante grandes para podermos ler nelles -- são certos caracteres gigantescos, de uma escripta especial com a qual os marcianos pretendem enviar-nos alguma mensagem. Seja como for, estes canaes demonstram que a communicação entre Marte e a terra está muito longe de ser impossivel; e, se os seus habitantes possuissem telescopios tão bons como os nossos, poderiam, sem duvida ler qualquer mensagem que lhes escrevessemos com caracteres gigantescos no deserto do Sahará ou na Siberia.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Enquanto isso, no Grande Cerol do Céu

Aparício... tá difícil, Aparício.

Mas já que você foi mais cedo, pelo menos pega uma mesa pra gente. Mas não esquece, hein? Ficar de pé, tomando cerveja de banquinho pelo resto da eternidade, aí caplica.

E não se empolgue com o churrasco, não. Essa chicada é fogo: pode estar no céu, mas ainda é de gato. Esperemos que ao menos seja de gato siamês. Abraço.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Na Diretoria com Mozart

Se existe um Direito Natural, e até a Moral Natural já foi logicamente demonstrada, só o que falta pra pôr ordem na casa é uma Etiqueta Natural.

Ou melhor: faltava. Após cinco árduos anos de bebedeira ou convívio com crianças, faxineiros, antropólogos e descendentes do Chacrinha -- sem dúvida alguns dos seres mais primitivos da espécie --, estou certo de ter estabelecido as leis naturais que devam reger nossos modos à mesa. Ou pelo menos vai dar pra enrolar o CNPq legal.

O paper sai apenas no final do ano que vem, quando a bolsa acaba, mas posso adiantar algumas das linhas gerais:

- Se puxarem oração no refeitório, abaixe a cabeça respeitosamente e catapulte uma coxa de galinha em direção à mesa mais próxima -- se acertar o nariz do pregador, melhor, mas isso decorre naturalmente

- É a boca que vai à comida. Os membros existem há somente uns poucos milhões de anos, não passam de intermediários historicamente irrelevantes, e é natural que sejam usados com parcimônia.

- Num jantar grã-fino, apóie o cotovelo de sua escolha sobre a mesa -- de preferência, num prato de sopa fervente. Não apenas você chocará uma sociedade anacrônica e decadente, como poderá usar a distração pra bater a carteira de um vizinho.

- Jamais palite os dentes após a refeição. O cerimonial pede que, durante a sessão de batatas-fritas, você dobre seu palito, pingue umas gotas de guaraná, e avise à mesa que o está ressuscitando...

- Arrotar é falta de educação. A menos que você recite o abecedário ou diga alguma frase obscena junto.