terça-feira, 1 de agosto de 2006

Na Diretoria com Mozart

Se existe um Direito Natural, e até a Moral Natural já foi logicamente demonstrada, só o que falta pra pôr ordem na casa é uma Etiqueta Natural.

Ou melhor: faltava. Após cinco árduos anos de bebedeira ou convívio com crianças, faxineiros, antropólogos e descendentes do Chacrinha -- sem dúvida alguns dos seres mais primitivos da espécie --, estou certo de ter estabelecido as leis naturais que devam reger nossos modos à mesa. Ou pelo menos vai dar pra enrolar o CNPq legal.

O paper sai apenas no final do ano que vem, quando a bolsa acaba, mas posso adiantar algumas das linhas gerais:

- Se puxarem oração no refeitório, abaixe a cabeça respeitosamente e catapulte uma coxa de galinha em direção à mesa mais próxima -- se acertar o nariz do pregador, melhor, mas isso decorre naturalmente

- É a boca que vai à comida. Os membros existem há somente uns poucos milhões de anos, não passam de intermediários historicamente irrelevantes, e é natural que sejam usados com parcimônia.

- Num jantar grã-fino, apóie o cotovelo de sua escolha sobre a mesa -- de preferência, num prato de sopa fervente. Não apenas você chocará uma sociedade anacrônica e decadente, como poderá usar a distração pra bater a carteira de um vizinho.

- Jamais palite os dentes após a refeição. O cerimonial pede que, durante a sessão de batatas-fritas, você dobre seu palito, pingue umas gotas de guaraná, e avise à mesa que o está ressuscitando...

- Arrotar é falta de educação. A menos que você recite o abecedário ou diga alguma frase obscena junto.