Existem inúmeros métodos não ortodoxos para verificar se um livro é ou não passível de compra -- sem o ler ou pedir a opinião alheia. Cada pessoa tem os seus, registro abaixo alguns dos meus:
(i) Odor. Se cheira bem, desconfie: é golpe. Se cheira muito mal, só vale a pena se for técnico. O livro deve feder levemente a mofo. Quem está acostumado a naftalina, poderá ignorar este conselho. Exceção: livros em voga serão rejeitados independente de cheiro ou sabor.
(ii) Capílulas. Livros com capítulos longos são ruins -- vide Saramago. Capítulos extensos, apenas em livros de ação, que podem ser corridos sem maiores preocupações.
(iii) O filme. Se o livro originou filme, veja antes o filme. Se for muito ruim, não compre o livro. Se for bom, fique feliz por não ter lido ainda, e imagine que o livro seja um pouco melhor.
(iv) Hardcover. A capa deve ser sóbria, tons frios; ela pode ser poética, porém não melosa. O filósofo de antolhos tentou refutar-me certa vez dizendo que "um mesmo livro pode ter muitas capas", ao que respondi: "vale a da primeira edição, ou uma com aquarelas do autor, trouxa."
(v) O nome do autor. O nome do autor é extremamente importante para saber se gostará de um livro; procure-o na capa ou lombada.
(vi) Orelhas e afins. Prefira livros sem nada escrito a respeito, abomine os que contenham frases atribuídas a jornais. Os livros com orelhas são melhores, pois marca-páginas costumam vir com frases bregas e propagandas inestéticas. E jamais se case com alguém que dobre a ponta da página para marcar onde está.
Paro por piedade. Digo apenas que a forma utilizada, a existência de figuras, a organização do frontispício, o primeiro parágrafo e o peso são muito importantes, bem como a densidade -- vale a pena mergulhar certos volumes num rio para ver qual afunda mais depressa. Aliás, é por isso mesmo que meu primeiro livro será totalmente de plástico, e passível de leitura na piscina ou banheira. Se for comprar de papel, prefira os de pH neutro ou levemente alcalino.
sábado, 24 de maio de 2003
domingo, 18 de maio de 2003
O Mais Filosófico dos Grandes Prêmios
Muito bom ver o carro do alemão pegar fogo; melhor ainda, que nem fez menção de sair do cockpit; o sujeito é quase um soldado da velocidade. A lamentar, apenas, que nossa tecnologia não seja suficiente para registrar seus pensamentos.
Quem é adepto do livre-arbítrio, poderá exaltar a coragem do pentacampeão e dizer que tem alguns parafusos frouxos. Os behaviouristas, por sua vez, discursarão sobre condicionamento, reflexo, reforço, hipovitaminose e a falta que uma sineta faz.
Em minha humilde opinião, a questão do livre-arbítrio resume-se à capacidade de escolhermos o que nos seja pior. Se escolhemos o que parece melhor, estamos procedendo racionalmente, não há muito livre-arbítrio; se agimos por instinto, aí é que não há livre-arbítrio mesmo.
Definido dessa maneira um tanto quanto contestável, é possível até fazermos um testinho de internet para ver quanto livre-arbítrio temos -- mas isso fica a cargo do leitor, proponho somente a seguinte experiência:
Escreva uma lista das cinco piores coisas que jamais faria. Diga a si mesmo: eu tenho livre-arbítrio, eu conseguirei realizar ao menos uma. Após desistir, com uma desculpa qualquer, faça uma lista das dez piores; e então uma das vinte, das trinta, até resolver ignorar as listas e fazer algo simples, que normalmente não faria, porque considera ruim ou burro -- mas nada que vá te matar. e.g.: enfiar o polegar no nariz enquanto dá uma coletiva de imprensa, assistir a Xuxa e os Duendes etc.
Veja até onde consegue levar este tipo de atitude insana, e terá uma boa noção de quanto livre-arbítrio possui. Mas atenção: se cumprir os desafios da segunda ou terceira lista, não é nenhum virtuose do livre-arbítrio, e sim um masoquista, precisa de ajuda especializada.
E, se fizer algo da primeira lista, por favor, esqueça que um dia visitou meu blog, não quero ser responsabilizado por nada -- exceção: caso resolva doar todo seu patrimônio, por favor entre em contato através da caixa de comentários... nem ia publicar esta porcaria, mas, livre como um ábaco, fi-lo; agora é convosco.
Quem é adepto do livre-arbítrio, poderá exaltar a coragem do pentacampeão e dizer que tem alguns parafusos frouxos. Os behaviouristas, por sua vez, discursarão sobre condicionamento, reflexo, reforço, hipovitaminose e a falta que uma sineta faz.
Em minha humilde opinião, a questão do livre-arbítrio resume-se à capacidade de escolhermos o que nos seja pior. Se escolhemos o que parece melhor, estamos procedendo racionalmente, não há muito livre-arbítrio; se agimos por instinto, aí é que não há livre-arbítrio mesmo.
Definido dessa maneira um tanto quanto contestável, é possível até fazermos um testinho de internet para ver quanto livre-arbítrio temos -- mas isso fica a cargo do leitor, proponho somente a seguinte experiência:
Escreva uma lista das cinco piores coisas que jamais faria. Diga a si mesmo: eu tenho livre-arbítrio, eu conseguirei realizar ao menos uma. Após desistir, com uma desculpa qualquer, faça uma lista das dez piores; e então uma das vinte, das trinta, até resolver ignorar as listas e fazer algo simples, que normalmente não faria, porque considera ruim ou burro -- mas nada que vá te matar. e.g.: enfiar o polegar no nariz enquanto dá uma coletiva de imprensa, assistir a Xuxa e os Duendes etc.
Veja até onde consegue levar este tipo de atitude insana, e terá uma boa noção de quanto livre-arbítrio possui. Mas atenção: se cumprir os desafios da segunda ou terceira lista, não é nenhum virtuose do livre-arbítrio, e sim um masoquista, precisa de ajuda especializada.
E, se fizer algo da primeira lista, por favor, esqueça que um dia visitou meu blog, não quero ser responsabilizado por nada -- exceção: caso resolva doar todo seu patrimônio, por favor entre em contato através da caixa de comentários... nem ia publicar esta porcaria, mas, livre como um ábaco, fi-lo; agora é convosco.
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