Muito bom ver o carro do alemão pegar fogo; melhor ainda, que nem fez menção de sair do cockpit; o sujeito é quase um soldado da velocidade. A lamentar, apenas, que nossa tecnologia não seja suficiente para registrar seus pensamentos.
Quem é adepto do livre-arbítrio, poderá exaltar a coragem do pentacampeão e dizer que tem alguns parafusos frouxos. Os behaviouristas, por sua vez, discursarão sobre condicionamento, reflexo, reforço, hipovitaminose e a falta que uma sineta faz.
Em minha humilde opinião, a questão do livre-arbítrio resume-se à capacidade de escolhermos o que nos seja pior. Se escolhemos o que parece melhor, estamos procedendo racionalmente, não há muito livre-arbítrio; se agimos por instinto, aí é que não há livre-arbítrio mesmo.
Definido dessa maneira um tanto quanto contestável, é possível até fazermos um testinho de internet para ver quanto livre-arbítrio temos -- mas isso fica a cargo do leitor, proponho somente a seguinte experiência:
Escreva uma lista das cinco piores coisas que jamais faria. Diga a si mesmo: eu tenho livre-arbítrio, eu conseguirei realizar ao menos uma. Após desistir, com uma desculpa qualquer, faça uma lista das dez piores; e então uma das vinte, das trinta, até resolver ignorar as listas e fazer algo simples, que normalmente não faria, porque considera ruim ou burro -- mas nada que vá te matar. e.g.: enfiar o polegar no nariz enquanto dá uma coletiva de imprensa, assistir a Xuxa e os Duendes etc.
Veja até onde consegue levar este tipo de atitude insana, e terá uma boa noção de quanto livre-arbítrio possui. Mas atenção: se cumprir os desafios da segunda ou terceira lista, não é nenhum virtuose do livre-arbítrio, e sim um masoquista, precisa de ajuda especializada.
E, se fizer algo da primeira lista, por favor, esqueça que um dia visitou meu blog, não quero ser responsabilizado por nada -- exceção: caso resolva doar todo seu patrimônio, por favor entre em contato através da caixa de comentários... nem ia publicar esta porcaria, mas, livre como um ábaco, fi-lo; agora é convosco.