Existem inúmeros métodos não ortodoxos para verificar se um livro é ou não passível de compra -- sem o ler ou pedir a opinião alheia. Cada pessoa tem os seus, registro abaixo alguns dos meus:
(i) Odor. Se cheira bem, desconfie: é golpe. Se cheira muito mal, só vale a pena se for técnico. O livro deve feder levemente a mofo. Quem está acostumado a naftalina, poderá ignorar este conselho. Exceção: livros em voga serão rejeitados independente de cheiro ou sabor.
(ii) Capílulas. Livros com capítulos longos são ruins -- vide Saramago. Capítulos extensos, apenas em livros de ação, que podem ser corridos sem maiores preocupações.
(iii) O filme. Se o livro originou filme, veja antes o filme. Se for muito ruim, não compre o livro. Se for bom, fique feliz por não ter lido ainda, e imagine que o livro seja um pouco melhor.
(iv) Hardcover. A capa deve ser sóbria, tons frios; ela pode ser poética, porém não melosa. O filósofo de antolhos tentou refutar-me certa vez dizendo que "um mesmo livro pode ter muitas capas", ao que respondi: "vale a da primeira edição, ou uma com aquarelas do autor, trouxa."
(v) O nome do autor. O nome do autor é extremamente importante para saber se gostará de um livro; procure-o na capa ou lombada.
(vi) Orelhas e afins. Prefira livros sem nada escrito a respeito, abomine os que contenham frases atribuídas a jornais. Os livros com orelhas são melhores, pois marca-páginas costumam vir com frases bregas e propagandas inestéticas. E jamais se case com alguém que dobre a ponta da página para marcar onde está.
Paro por piedade. Digo apenas que a forma utilizada, a existência de figuras, a organização do frontispício, o primeiro parágrafo e o peso são muito importantes, bem como a densidade -- vale a pena mergulhar certos volumes num rio para ver qual afunda mais depressa. Aliás, é por isso mesmo que meu primeiro livro será totalmente de plástico, e passível de leitura na piscina ou banheira. Se for comprar de papel, prefira os de pH neutro ou levemente alcalino.