terça-feira, 16 de novembro de 2004

Homens à Socapa

O idioma dos advogados e dos traficantes é imbatível -- sobretudo o dos advogados de traficantes --, mas os escritores ainda chegam lá.

Por alguma razão, resolveram não apenas que todos devamos franzir o cenho e cofiar a barba (galicismo podre*), como condenaram metade da espécie a narizes aduncos. E não é só a humanidade, a natureza também funciona segundo suas convenções, ora chovendo a cântaros, ora aos borbotões. É muito ridículo.

(*) eu nunca cofiei a barba. se um dia me virem cofiando, podem encher de porrada. deus me livre; prefiro me escanhoar a passar por semelhante situação.

Uma coisa é precisão, outra é usar metáforas, ou linguajar, que remonta às priscas eras. Quem já pegou um cântaro, ou convidou pra jantar, ou pelo menos o viu do outro lado da rua? Será que os escritores têm cântaros em casa? Vai ver é isso.

E depois falam mal de poesia parnasiana, que é ridícula. (é mesmo)

Pior que as gírias dos escritores, é quando usam metáforas bem ruinzinhas numa descrição, ou fazem uma inteligentíssima observação sobre o cotidiano e a natureza humana, com o intuito de "acrescentar algo" ao parágrafo de outra forma demasiado pobrinho. Acrescentar, ok, mas já dizia o mestre Foda: do or do not, there is no try.

Chovia a cântaros: errado. Choveu até dizer chega.