Possuía um cão em infância, cocker spaniel que atendia por Bach; não apenas bobo, como cheio de problemas. A família passava por dificuldades financeiras, de modo que chegou o inevitável dia em que papai me informou de que teríamos de nos livrar do infame animal.
Muito genial, meu pai não usou termos tais; em vez disso, falou-me que libertaríamos o cão; e, a despeito dos frágeis protestos infantis, lá fomos nós, na estropiada Belina vermelha, rumo à estrada, levando o cão a seu habitat natural.
Paramos no acostamento e deixamos o pobre animal numa pequena mata-clareira. Tiramos a coleira, e ele saltou um pouco para lá e cá, atrás de insetos; aparentemente feliz, como papai ressaltou.
Despedi-me do bicho, que se aproximara, e fomos para o carro, enquanto ele tornava a saltar. Quando ruidosamente ligamos o veículo, creio que meu cão não entendeu bem o que ocorreria a seguir, pois parou junto ao meio-fio e ficou nos observando partir, parado, com a língua pra fora. Ainda correu um pouco em nossa direção, antes que desaparecesse na curva.