sábado, 1 de fevereiro de 2003

DIOGO CÃO AND THE TRAGEDY OF ARISTOTELES, KING OF GRÉCIA

Em À Mesa com Aristóteles, que trata das discussões deste com seus discípulos durante a sobremesa, o Estagirita relata a existência de quatro tipos de churrascos:

(i) os barbarismos; churrascos estrangeiros constituídos por carne moída ou salsicha;

(ii) o espeto corrido; que é barato e destina-se ao empanturramento e taxidermia em geral;

(iii) o churrasco entre amigos; de qualidade duvidosa, que serve como aperitivo e desculpa para beber cerveja, além de auxiliar a retenção de líquidos;

(iv) o rodízio em si; este deveria ser apreciado, bem pago, e comentado com os amigos ou nas altas esferas, o que fosse mais conveniente.

Diógenes del ocho, num acesso de fúria contra o cartesianismo aristotélico, inventou o churrasquinho grego, e assim nasceu aquela aberração que até hoje pode ser encontrada nas ruas mais movimentadas das grandes capitais (com um suco de brinde), e, por incrível que pareça, na Grécia.

Devido à humilhação pública de sua sabedoria, Aristóteles passou doze anos sem experimentar o churrasquinho grego -- que teria enriquecido Diógenes se este tivesse o cuidado de registrar uma patente, muito embora sua alcunha (cínico) pudesse atrapalhar --, dizendo aos próximos que se tratava de moda passageira, e de forma alguma rasuraria sua obra, porém teve de ser operado do apêndice, tamanha sua revolta interior.

O armistício só teve lugar quando Aristóteles, por razões até hoje incertas, começou a escrever a primeira parte de sua fabulosa "Literatura de Banheiro", em que consagrava Homero e afirmava que "a qualidade de um livro é inversamente proporcional a seu odor". Os dois fizeram as pazes, e, numa homenagem póstuma, na segunda edição de À Mesa com Ari constava o "churrasquinho grego propriamente dito", que sugeria servido isoladamente, qual uma ilha, ou o criador.