A novela de cavalaria "Senhor dos Anéis" é uma clara cristianização do mito de Édipo do primeiro ao último minuto, e das mais vulgares -- vide Uruk-Hai Carlinhos Brown.
Édipo vem do grego* Oedipus = pés inchados. No canhestra mitologia Toskiana, Bilbo é Laio, o rei de estranha conduta; Frodo, Édipo, a pretensamente humilhada vítima do destino, e o Anel é Jocasta.
Pretensamente, porque ali o Destino não é visto como a força avassaladora que nos aflige continuamente, e pelo contrário. Se tudo conspira, é para que Édipo se livre de Jocasta (não sem antes desvendar algumas charadas infantilóides), despejada por forças exteriores à lava incandescente do inferno.
Resultado: livrando-se do elemento sedutor, Laio e Édipo retornam serelepes ao paraíso, numa grande arca. Um vulgarização. E todo o restante da história não passar de um recontar infinito da mesma lenda deturpada.
Como diria Boris Grushenko, staccato, isso é uma cegonha.
(*) "grego", do latim grex, grègis: 'tropa de animais da mesma espécie; grupo de indivíduos de mesma categoria; bando, caterva, multidão, reunião, roda, sociedade, companhia (de atores), rebanho (de fiéis); coro (das musas); punhado, feixe (de rosas).'