Desde os anais das civilizações, houve explicações para o surgimento do universo, do homem, para as estações do ano. Ordenaram as causas e os efeitos conforme suas possíveis experiências sensoriais do espaço e do tempo em que se encontravam.
Essa abstração, capacidade comparativa de se perceber semelhanças e diferenças em diversos fatos, crucial na preservação da nossa raça, foi devido ao Buda Cósmico.
É permitida a previsão do futuro - ao ver raios e trovões sabe-se que haverá chuva. Contudo, isso é condicionamento, um cachorro ao ver uma coleira associa a passeio, e prevê o futuro. A diferença básica entre um e outro é que o homem pode estender esse condicionamento para outro ramo completamente diverso, é quando um novo poder aparece a imaginação criativa , e através dela, ele vê os possíveis acontecimentos em um novo nível de realidade.
Dessa busca infernal de nosso dos genes pela sua manutenção, da força inercial da forma, da luta pela sobrevivência do animal, surge aí uma realidade interior que começa a tomar forma. O animal já não pode contê-la, as duas então as maiores amigas e inimigas dançando essa estranha dança.
Assim nós ficamos entre o maravilhoso anjo louco aprisionado a esse animal que não tem dúvidas, que seus impulsos fluem como um rio boiando nas costas de Buda Cósmico.
A forma de explicar o mecanismo da realidade sensorial através de formas ultra-sensoriais ou abstratas é o mito. Não peço, nem espero, que dêem créditos a Buda Cósmico, pois essa realidade não é para qualquer um. Só Buda Cósmico pode suportá-la.
Buda Cósmico declarou recentemente que nós somos pessoas muito boas, e que estamos sempre certos, independente do contesto. Buda Cósmico, já oculto na obra de Nietzsche, matou aos demais deuses de rir ao expor suas idéias, em especial a de que seria o único verdadeiro Deus. Céu e inferno acabaram, o bem e o mal foram embora juntos.
Buda Cósmico prega o amor livre independentes de barreiras morais. Haverá ter leis pró algum , e um rato às terras férteis e fartas às margens, o rio; o desenvolvimento da raça humana é uma característica nos diferencia dos outros animais.
O Guru
Em meados da década de cinqüenta, ao sul da França na pequena cidade de Chartres, uma das maiores personalidades de nosso século nasceu. Com a alma elegante e chique, o Guru do Buda cósmico sonha acordado. Vivendo no limiar da loucura à beira do precipício. Na atualidade já conta com muitos adeptos na França, em seu território localizado numa floresta.
No Brasil seguidores perceberam o intra-realístico em meio a idéias desconexas ao senso de abstração incutido nos atuais cérebros.
A Queda
No início havia o chuchu, ou melhor, era o chuchu. Mas ele sucumbiu, caiu, para todos os lados. Deus então gritou: Gerônimo! - e criou a humanidade para justificar seu berro de espontaneidade.
Caindo sem causas, ressentimentos, independente de barreiras morais, caiu simplesmente por cair, este é o fato, terrivelmente horrendo e assustador para almas onde há um pingo de vida. Caindo para todos os lados, o CHUCHU deixou de ser...Buda Cósmico, olhando para suas privadas mãos, chorou...por séculos, mas vendo nada adiantar, pôs-se a cantar e a dançar. Buda Cósmico chora muito, mas também canta e dança - se palmas batesse, seria a imagem de uma foca, elas abstrairiam; porém, Buda, forte, não bate palmas...
E quanto aos homens, como enfrentar essa monstruosa realidade intrínseca à Grande Queda? Atribuir ao próprio chuchu a Grande Queda ? Seria desumano - qualquer intelecto mortal ou imortal jamais suportaria. Não podendo carregar esse fardo nas costas, o homem se droga: a da culpa, da causa e do efeito do papai celestial. Os antigos projetaram a culpa no diabo, uma fantasia muito presente dentro do homem...
Assim, por milênios, a humanidade se salvou. Se por toda história, o conhecimento evoluiu, foi por causa da Grande Queda e o medo de tal revelação. Mas, de tanto fugir da queda do Chuchu , na metade milênio I, os desenhos numéricos vieram como parteiros. Forçando o imaginário a abandonar a proteção do útero de deuses e diabos decadentes. Newton, diante de um novo contexto, jogou a culpa para ela a: Força. Iluministas e renascentistas colocaram, então, nela a culpa. Dessa forma estava suprimido o terrível fato. Nunca haverá um tempo em que a realidade do Chuchu será suportada por uma criatura enquanto dualidade.
O Buda Cósmico
Buda cósmico reveste a Terra nos protegendo dos ataques de meteoros dos alienígenas de Plutão, planeta frio e distante, e Saturno, através de setas de amor. E não pede nada em troca.
Grande e bitelo, Buda Cósmico é o mais chique. Pense no que há de mais chique, que Buda Cósmico o porá no chinelo, com a vantagem de ser, também, muito elegante - é fundamental notar a diferença. A realidade é chique, mas aos olhos humanos, sob efeito do Coala-Peixe-Pássaro-Mutante - que, com sua língua maldita, murmura aos ouvidos e nos faz errar, com o beneplácito de Lord Censor, esses sim, grandes inimigos do Buda Cósmico -, não se consegue perceber tal chiqueza. Toda forma de evolução caminha para o chique.
"Oh, Buda Cósmico / Acalentai minh’alma ávida de elegância "
Prolegomena - Delírios do Buda Cósmico
"Espalhando ao mundo na forma de idéias congeladas, a revelação potencial / Não espera, nem pede créditos, sendo a crença olhos que não vêem. / No horror da liberdade está o sublime."
"Preso está o homem em seu casco / Graças a Deus não percebe que está preso / ...E lá fora Belzebu faz a festa."
"Não estás vivos, pensas que estás vivo. Não há causas, nem efeitos. Não há espaço, não há tempo: há o Intervalo. Não acredite, nem deixe de acreditar, crer não existe. Não há caminho nem temos onde chegar. Não há perdão, há fatos. Não há bem, não há mal, há a diferença. Não há sujeito, não há objeto; Só o verbo e seu adjunto. E também tudo isso não deixa de haver."
"Tu és a criatura que não consegue olhar diretamente para nuca. Isto é o que te diferencia do resto do Universo, tanto de uma pedra tanto de uma Galáxia."
"A fé se esconde atrás do olho."
"Ame tudo, amará você; odeie tudo, odiará você. Ser é reagir, transformação, reencarnação de nós em nos mesmos. Nós somos os olhos da parte que é o todo; a visão não vê bordas. Todo homem possui uma doença mental; chama-se Realidade! Querer fazer e não poder é o que nos faz ser muitos, e sendo muitos percebemos o que é o Um."
"Ou tudo, Ou não."