quinta-feira, 16 de maio de 2002

Nosso Amigo, o Átomo

É surpreendente o poder de convencimento dos experimentos, de ver com olhos que Perpétua há de comer; foi impossível não me recordar disso enquanto reassistia a 2001, no instante em que o homem na lua, qual o antropóide milhões de anos antes, tocava o monolito com sua mão.

Houve uma experiência que gostaria de poder ter realizado, pelo poder de persuasão, convencimento, que possui: isolar um átomo, tornando-o visível a olho nu.

Foi realizada* em meados da década de oitenta, pelo grupo de Hans Dehmelt, que ganhou o Nobel, até em razão do método criado ser útil, tendo permitido a medição do fator g-2 do elétron*.

(*) lê-se "gê menos dois"; em linhas gerais, digamos que o 2 seria o fator g (momento magnético) do elétron caso não possuísse raio e que mediu-se algo um pouco superior a isso -- há, na verdade, umas correções que não vêm ao caso --; experimentos similares posteriores, do mesmo Dehmelt, indicaram que talvez o elétron pudesse ter subestrutura, tal como os prótons e nêutron, que são formados a partir de quarks.

O átomo em questão foi um íon de berílio, e passou uns bons meses visível; o mais interessante é que também podiam ser notados os "saltos quânticos", pois alterava de cor (incluso o infravermelho) dependendo de sua energia, e isso ocorria em graus discretos.

Quando cansou, isolaram uma anti-partícula, um pósitron, e ainda batizaram de Priscilla... hoje já isolaram até anti-próton... aí fica difícil pros céticos duvidarmos, por mais que batalhemos na compreensão dos sistemas ligados...

Das experiências mais finas e curiosas, estranho não seja muito conhecida. Por outro lado, não tenho de escutar por aí um Yo no crejo en los átomos, pero que los hay, hay.